Morador mais antigo do município, dedicou parte da vida à ferrovia e acompanhou de perto as transformações de Três Lagoas
Três Lagoas se despediu nesta quarta-feira, 26, de um dos personagens que ajudaram a preservar a memória e a história do município. Antenor José da Cruz, o “Aroreira”, morreu aos 108 anos, deixando uma trajetória marcada pelo trabalho, pela fé, pela dedicação à família e por uma vida que atravessou diferentes fases do desenvolvimento de Três Lagoas.
Nascido em 11 de dezembro de 1917, Antenor era reconhecido como o morador mais antigo do município. Sua história, porém, ia muito além da longevidade, onde ele fez parte de uma geração diretamente ligada à construção e ao crescimento da cidade, especialmente por sua relação com a antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB).
Segundo registros da Câmara Municipal de Três Lagoas, Antenor era mineiro e chegou à cidade ainda na década de 1930 para trabalhar na ferrovia. Entre as funções que exerceu estava a de carpinteiro, profissão à qual dedicou parte importante de sua vida.
UMA VIDA LIGADA À HISTÓRIA DE TRÊS LAGOAS
Ao longo de mais de um século de vida, Antenor acompanhou profundas transformações sociais, econômicas e urbanas de Três Lagoas. Ele viveu durante diferentes períodos da história do município e testemunhou a cidade deixar para trás características de uma comunidade ainda em formação para se tornar um dos principais polos econômicos de Mato Grosso do Sul.
Morador do bairro Nossa Senhora Aparecida, Antenor era conhecido pela simplicidade, pelo bom humor e pela disposição para conversar. Registros publicados pela imprensa local relatam que ele gostava de jogar canastra com amigos e familiares e fazia questão de manter o hábito de cumprimentar quem passava pela rua.
Antenor também construiu uma grande família. De acordo com informações divulgadas pela Câmara Municipal, ele teve sete filhos, 26 netos, 20 bisnetos e 11 tataranetos. A dimensão da família ajuda a explicar o alcance de seu legado, onde seus ensinamentos e histórias foram transmitidos por diferentes gerações, mantendo viva a memória de um período importante da formação de Três Lagoas.
ÁRVORE PLANTADA POR ANTENOR SE TRANSFORMA EM SÍMBOLO DE SUA HISTÓRIA EM TRÊS LAGOAS
Um dos capítulos mais simbólicos da trajetória de Antenor José da Cruz foi marcado pelo plantio de árvores em Três Lagoas. Em janeiro de 2021, quando tinha 103 anos, o então ferroviário participou, ao lado de sua neta, a pedagoga Caroline Feliciano do plantio de três mudas de aroeira na região da NOB, durante as obras da Central de Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar.

Em 2024, Antenor recebeu uma Moção de Reconhecimento da Câmara Municipal de Três Lagoas, em homenagem à sua trajetória e à contribuição de sua história para o município. A homenagem destacou sua ligação com a ferrovia e sua presença na comunidade três-lagoense.
Antenor deixa, agora, não apenas uma família numerosa, mas também uma história que se confunde com a própria trajetória de Três Lagoas. Sua longevidade permitiu que acompanhasse quase toda a história moderna do município, tornando-se uma espécie de testemunha viva das transformações que marcaram a cidade.
O velório de Antenor José da Cruz será realizado nesta quinta-feira, 27, até às 15h, na Cardassi, em Três Lagoas.


