Frigoríficos de Mato Grosso do Sul começaram a conceder férias coletivas e a reduzir o ritmo de abates em resposta ao esgotamento da cota anual de exportação de carne bovina para a China. A medida busca evitar a incidência de uma tarifa adicional que pode elevar significativamente os custos das vendas ao principal mercado consumidor da proteína brasileira.
Entre as unidades impactadas estão frigoríficos instalados em Campo Grande e Iguatemi, que já suspenderam temporariamente parte das atividades. Outras plantas industriais também reduziram a produção para adequar a oferta ao cenário internacional. Segundo representantes do setor, a estratégia é preservar a competitividade das empresas enquanto aguardam a reabertura da nova cota de exportação.
O problema surgiu após a China atingir o limite de importação de carne bovina brasileira com tarifa reduzida. A partir desse volume, as exportações passam a ser tributadas com uma sobretaxa que, somada aos impostos já existentes, pode chegar a 67%, tornando a comercialização economicamente inviável.
Além da questão tarifária, o setor enfrenta desafios como a menor oferta de animais para abate, demanda enfraquecida no mercado interno e margens de lucro cada vez mais apertadas. Apesar do momento de cautela, entidades que representam a indústria afirmam que, até o momento, a prioridade tem sido ajustar a produção por meio de férias coletivas e redução das escalas, evitando demissões em larga escala.
A expectativa é de que as exportações destinadas ao mercado chinês sejam retomadas nos próximos meses, quando os embarques passarem a ser contabilizados na cota do próximo período. Enquanto isso, frigoríficos buscam ampliar as vendas para outros mercados internacionais e também fortalecer a comercialização no mercado interno para minimizar os impactos da redução das compras pela China.


