Hospital Regional de Três Lagoas registra crescimento nas captações e reforça importância da conscientização familiar
Gestos de solidariedade têm aproximado a dor da esperança em Mato Grosso do Sul. O Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, administrado pelo Instituto Acqua em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde, já realizou duas captações de órgãos somente neste ano, número que representa metade do total registrado em todo o ano passado. Desde a implantação do serviço, em maio de 2025, a unidade já soma seis captações realizadas.
Em 2025, foram quatro procedimentos ao longo de oito meses, enquanto em 2026 já foram registradas duas captações, realizadas nos dias 17 e 25 de fevereiro, envolvendo doadores da região da Costa Leste. Em ambos os casos, foram captados rins destinados a pacientes que aguardavam na fila por transplante no Estado. As ações reforçam o avanço do serviço e o impacto direto na vida de quem aguarda por um órgão.
O processo de doação envolve uma complexa articulação entre equipes hospitalares e a Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul. Segundo o cirurgião Gustavo Rapassi, a dinâmica começa com a notificação da morte e segue com autorização familiar e avaliações clínicas até a captação. A integração entre as equipes é essencial para garantir a efetividade dos transplantes.
De acordo com o especialista, o suporte logístico, incluindo transporte aéreo, é decisivo para reduzir o tempo e aumentar a viabilidade dos órgãos captados. Todo o processo, entre a chegada da equipe e o retorno para Campo Grande, leva em média quatro horas, enquanto o receptor já aguarda preparado para o procedimento. A agilidade em cada etapa é determinante para o sucesso das cirurgias.
Rapassi também destaca o protagonismo crescente de cidades do interior, como Três Lagoas, no processo de captação. Segundo ele, o aumento na notificação e efetivação de doadores amplia as chances de atendimento aos pacientes na fila. O interior tem se tornado peça-chave na ampliação dos transplantes no Estado.
Além de salvar vidas, o hospital também contribui para a formação de novos profissionais da saúde. Estudantes, como a acadêmica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, participam das equipes e vivenciam na prática o processo cirúrgico. A experiência fortalece a formação e incentiva a atuação na área de transplantes.
A unidade também investe na qualificação contínua das equipes, por meio da e-DOT (Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes), responsável por todo o processo de identificação de doadores e acolhimento familiar. Treinamentos recentes ampliaram a capacidade do hospital, que em breve poderá realizar captação de córneas. A ampliação do serviço deve contribuir para reduzir a fila de espera por transplantes.
Com o aumento das captações, cresce também a necessidade de conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos. No Brasil, a autorização da família é indispensável para que o procedimento ocorra. Informar aos familiares o desejo de ser doador é fundamental para salvar vidas.


