Empresas participantes apontaram indícios de irregularidades e certame acabou suspenso
A Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) suspendeu uma licitação que aconteceria nesta quarta-feira (15) para contratação de empresa especializada em realização de eventos. A decisão aconteceu dias após o Jornal Midiamax revelar que, antes de deixar o Governo de MS para concorrer nas eleições deste ano, o ex-secretário estadual Jaime Verruck deixou R$ 7 milhões ‘direcionados’ para Federação.
A Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) chegou a publicar o extrato do contrato com o nome de Verruck após a data de desincompatibilização dele, mas corrigiu o erro no Diário Oficial seguinte. A justificativa para o repasse milionário para entidade presidida há 19 anos por Sérgio Marcolino Longen é justamente a ‘realização de eventos empresariais’.
Jaime Verruck foi diretor do IEL – braço da Fiems – e diretor corporativo da Fiems antes de assumir cargos no Governo do Estado, em 2015.
E a suspeita é de que o certame suspenso tenha sido direcionado, conforme denúncia encaminhada ao Jornal Midiamax.
Isso porque o chamamento público é destinado à contratação de apenas uma empresa. Ou seja, um mesmo participante deve fornecer todos os 44 itens pedidos pela Fiems, em um mesmo lote. O total previsto para o gasto com o certame é de R$ 88,9 mil, mas o número pode ser maior, já que alguns itens pedem mais de uma unidade.
A entidade, comandada pelo empresário Sérgio Longen, quer fornecedor para locação de estruturas, equipamentos de som, iluminação, geradores e material de áudio visual.
Entretanto, três empresas participantes entraram com recursos contra a montagem da disputa com esse ‘pacote’ pedido pela Fiems, conforme o Portal de Compras Eletrônicas.
Segundo empresários que aceitaram conversar com a reportagem, mas não querem se identificar por medo de represália, a manobra na licitação limitaria o número de participantes e comprometeria a competitividade.
Conforme denúncia feita ao Jornal Midiamax, isso favoreceria uma empresa ‘parceira’ da Fiems há 10 anos e que tem suposta relação com membros da diretoria da Federação das Indústrias de MS. De acordo com a denúncia, dois CNPJs supostamente se alternam nos contratos, seguindo orientação de membros da diretoria.
Na sessão de quarta-feira (15) da Alems, o deputado Pedro Kemp (PT) apresentou requerimento cobrando informações do Governo e questionou se a Fiems poderia contratar terceiros com o dinheiro articulado por Verruck e, se sim, como seria essa seleção de fornecedores. O requerimento ainda precisa ser aprovado antes de seguir oficialmente à Semadesc.
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