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domingo, 31 de maio, 2026

Transplante após 16 anos de espera marca nova vida para investigador

Após 13 tentativas, Anderson vence longa jornada contra doença renal com apoio de rede aérea e equipes de saúde

Foram mais de 16 anos marcados por uma rotina intensa de tratamento, viagens e incertezas. Diagnosticado em 13 de março de 2009 com nefropatia por IgA, conhecida como doença de Berger, o investigador da Polícia Civil Anderson iniciou, menos de um mês depois, as sessões de hemodiálise — um processo contínuo que se estendeu por 16 anos e 8 meses.

Ao longo desse período, ele passou por diferentes centros de tratamento em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, sempre à espera de um transplante. Foram diversas convocações, muitas sem sucesso por incompatibilidade.

“A gente vive esperando o telefone tocar. Pode ser a qualquer hora, de madrugada, durante o almoço. Isso mexe com o psicológico, com o sono, com tudo”, relata.

Mesmo diante das dificuldades, Anderson seguiu trabalhando como investigador desde 2006, contando com o apoio dos colegas e da instituição. “Isso fez toda a diferença para eu continuar firme durante esse processo”, afirma.

A 13ª tentativa e a virada

A espera terminou após acompanhamento no Hospital do Rocio, em Campo Largo (PR), onde permaneceu por cerca de dois anos e meio. Depois de 12 tentativas frustradas, foi na 13ª convocação que veio a notícia esperada.

“Quando deu certo, foi como ganhar uma nova vida. Foram muitos anos tentando, vendo outras pessoas conseguirem e eu tendo que recomeçar”, conta.

A ligação aconteceu na madrugada de 13 de outubro do ano passado, exigindo mobilização imediata.

Corrida contra o tempo

O tempo de resposta foi determinante para o sucesso do transplante. Anderson contou com apoio logístico, incluindo transporte aéreo viabilizado pelo Governo do Estado.

“Quando o chamado acontece, não tem como esperar. É tudo muito rápido. Sem esse tipo de apoio, muita gente não consegue chegar a tempo”, destaca.

Bastidores da missão

Por trás da chegada a tempo, uma operação complexa envolveu equipes da Casa Militar, da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e da Coordenadoria de Transporte Aéreo (CTA).

O piloto Enilton Zalla, delegado da Polícia Civil e integrante da aviação do Estado, participou do transporte e relembra os desafios da missão.

“Era um voo que precisava sair e chegar muito cedo em Curitiba. Tínhamos condições meteorológicas que poderiam dificultar o pouso, mas assumimos o compromisso”, relata.

Segundo ele, o caso tinha um significado especial, já que ambos pertencem à Polícia Civil e ele acompanhava a trajetória de Anderson há anos.

“Poder ver quando dá certo, principalmente com alguém próximo, é um privilégio enorme”, afirma.

Estrutura que salva vidas

As missões aéreas envolvem tanto transporte de pacientes quanto captação de órgãos, sempre com foco no tempo-resposta. Atualmente, a equipe conta com sete pilotos, além do apoio de bombeiros e Polícia Federal.

“Quando a demanda surge, avaliamos rapidamente as condições e iniciamos o voo. Cada minuto faz diferença”, explica Zalla.

Desde 2023, Mato Grosso do Sul realizou 39 missões aéreas para transplantes, sendo 19 apenas no último ano.

Entre o medo e a esperança

Ao chegar ao hospital, Anderson viveu um misto de emoções.

“A gente sonha com esse momento, mas também sente medo. É uma cirurgia grande, uma mudança de vida”, diz.

O transplante foi realizado no dia 14 de outubro, um dia após a convocação.

Nova vida e gratidão

Hoje, já transplantado, Anderson resume o momento com gratidão.

“Estou vivendo uma nova vida. Sou muito grato a todos que fizeram parte dessa trajetória”, afirma.

Ele destaca o apoio da família — da esposa Simeide, dos filhos Ana Lívia e José Pedro, da mãe Luzinete e do pai, Adão Ribeiro, policial militar aposentado, que o acompanhou durante toda a jornada.

Avanços nos transplantes

A história de Anderson reflete os avanços na área de transplantes no Estado, impulsionados pela integração entre saúde e logística.

A coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Claire Miozzo, ressalta a importância da agilidade. “Quando reduzimos o tempo entre a captação e o transplante, aumentamos significativamente as chances de sucesso”, afirma.

O cirurgião Gustavo Rapassi reforça o impacto do suporte aéreo. “Sem essa estrutura, muitos órgãos não conseguiriam ser utilizados a tempo. Isso faz toda a diferença para quem está na fila”, conclui.

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