Dona Dirce, de 84 anos, e seu Joaquim, de 79, relataram os momentos que ficaram sob o domínio de um invasor por cerca de quatro horas em sua residência
Uma entrevista forte, emocionante e revoltante marcou o “Bom Dia, Toninha Campos” da 96 Caçula FM desta quinta-feira, 08. Dona Dirce, de 84 anos, e seu Joaquim, de 79, abriram o coração ao relatar, em detalhes, os momentos de terror vividos dentro da própria casa durante a madrugada, em Três Lagoas.
O caso ganhou grande repercussão após um vídeo divulgado nas redes sociais na última quarta-feira, 08, pela empresária Priscila Ramos, neta de Dirce. Na gravação, ela denunciou a violência sofrida pelos avós e cobrou providências das autoridades.

Segundo o relato publicado, o crime teria ocorrido nas primeiras horas da manhã, quando um homem invadiu a residência localizada na região da Av. Custódio Andries, no bairro Santa Terezinha, em Três Lagoas. De acordo com a neta, o suspeito agrediu o casal com extrema violência, deixando ambos feridos e necessitando de atendimento hospitalar.
Visivelmente abalados, eles contaram que o criminoso invadiu a residência por volta das quatro horas da manhã, após passar horas escondido no quintal observando a rotina do casal. Segundo Dona Dirce, o suspeito já a aguardava. “Quando abri a porta, ele disse: ‘eu estava te esperando’”, relembrou.
A partir daí, começaram horas de violência, ameaças e desespero. A idosa relatou que foi agarrada pelo pescoço, jogada ao chão diversas vezes e agredida enquanto gritava por socorro. Já seu Joaquim também foi atacado, amarrado e mantido sob domínio do invasor.

Durante aproximadamente quatro horas, o criminoso revirou a casa em busca de dinheiro e objetos de valor, afirmando que já monitorava o casal há dias e conhecia toda a rotina da residência. “Ele sabia tudo da gente”, disse o idoso.
O momento de maior tensão só teve fim quando uma familiar chegou ao local. Ao perceber a movimentação, o suspeito tentou se passar por parente, mas acabou fugindo após a mulher simular que havia alguém armado chegando. Apesar da fuga, o trauma permanece. O casal precisou de atendimento médico e, segundo familiares, não pretende mais voltar à casa onde viveu por décadas.
COMANDANTE SE MANIFESTA AO VIVO
Durante a entrevista, o comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar de Três Lagoas (2°BPM) TC. Moreira, participou ao vivo e afirmou que a corporação identificou uma ocorrência semelhante à relatada.
Segundo Moreira, está à disposição da população e atua sempre que há situações de crime ou suspeita. O comandante destacou ainda que, embora casos como esse gerem grande repercussão, o município é considerado seguro, e que ações estão sendo realizadas em conjunto com a assistência social para lidar com pessoas em situação de rua.
Ele explicou que abordagens são feitas quando há suspeita e que indivíduos que cometem crimes são encaminhados à Justiça. Também mencionou que parte dessas pessoas já recebeu apoio para sair da situação de vulnerabilidade.

A fala, no entanto, gerou reação imediata durante a entrevista, diante da indignação dos familiares, que cobraram respostas mais efetivas diante da sensação de insegurança crescente. Outro ponto levantado foi a falha no sistema de monitoramento por câmeras na região, que poderia ajudar na identificação do suspeito, mas, segundo relatos, não está funcionando.
Ao final da entrevista, emocionada, Dona Dirce resumiu o sentimento após o ataque: “Eu achei que era o fim. Nunca vou esquecer o que a gente passou.”


