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Optar por brinquedos do sexo oposto não indica a sexualidade

Geral – 14/02/2013 – 10:02

No consultório, aguardam o tão esperado anúncio: é menino ou menina? Se for menina, os pais mal colocam o pé na rua e já pensam no enxoval cor de rosa, com lacinhos, saiotes e bonecas. Caso a resposta seja a outra, imaginam as roupas e os acessórios azuis, com estampas de bolas de futebol e carrinhos. A diferenciação por gênero começa bem antes do nascimento do bebê, a questão é saber até que ponto isso pode ser saudável. Limitar as descobertas infantis porque uma atividade não é vista como unissex é um grande equívoco.

Segundo a professora do curso de psicologia da PUC-Minas, Paula de Souza Birchal, nos primeiros meses de vida a relação da criança tende a ser dual, isto é, entre mãe e filho. Por mais que o pai auxilie nas tarefas, é natural que o laço maternal seja mais estreito. Aos poucos, no entanto, o bebê passa a reconhecer alguns familiares e entes queridos. A identificação ocorre de uma forma distinta da adulta, pois ele ainda não diferencia os gêneros.

Por volta dos dois e três anos, os pequenos começam a perceber que há diferenças entre o feminino e o masculino. Isso implica em identificar os demais como homem ou mulher e, também, a si mesmos como menino ou menina. Essa maturidade ocorre principalmente porque eles estão num processo de reconhecimento do mundo, pelo qual já é possível enxergar algumas marcas das divisões sociais e biológicas dos sexos.

A questão é como lidar com essas distinções. Na Suécia, a escola infantil Egalia adotou uma metodologia de ensino que não diferencia as crianças pelo sexo. Os brinquedos são organizados de uma forma em que não há divisão entre o que é adequado para as garotas ou não. Nos livros escolares, os personagens pertencem a famílias das mais diversas composições, como pais solteiros, divorciados ou do mesmo sexo, assim como filhos adotivos. Para se referir aos demais, opta-se por termos genéricos ou pelo nome, em faz de utilizar palavras com gênero, como “mãe” e “ele”. A ideia é passar um ensino em que as crianças enxerguem os demais como iguais, sem se ater a estereótipos.

Segundo a psicóloga, é difícil educar uma criança fora dos padrões de gênero, pois isso está enraizado em tudo, da televisão à internet. O que os pais precisam ficar atentos é se eles limitam as perspectivas dos filhos por causa do sexo deles. As crianças são curiosas, criativas e gostam de conhecer e experimentar novas coisas, e isso é positivo e natural. Não há porque proibir se um menino gosta de dança ou se uma garota quer brincar com carrinhos. Isso, inclusive, pode ser benéfico para o desenvolvimento delas.

A professora e pedagoga da Universidade Federal do Pampa )Unipampa) Jane Liberalesso acredita que brincar de boneca e casinha, por exemplo, é algo que deveria ser incentivado para todos. “Formaríamos assim seres humanos mais conscientes e menos violentos se eles entendessem, desde cedo, que cuidar de bebês, cozinhar, limpar a casa não são tarefas atreladas a um gênero”, explica.

Gostar de algo que não é do visto como próprio para o gênero não sugere características de sexualidade. As escolhas são provindas de interesses, independentemente do sexo da criança. Cabe aos pais apresentar a maior gama possível de possibilidades, apresentá-las, explicá-las e dar liberdade para que o filho faça a escolha. Se ele quer aula de judô ou balé não importa, o que interessa são as contribuições para o desenvolvimento da criança que isso pode acarretar.

Fonte: Portal Terra

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