Alcides Bernal fugiu depois do crime, mas se entregou à polícia tempos depois
Alcides Bernal, ex-prefeito de Campo Grande, matou um homem a tiros na tarde desta terça-feira (24), em uma casa na Rua Antônio Maria Coelho, no Bairro Jardim dos Estados, imóvel onde ele morava.
Conforme apurado pelo Campo Grande News, o crime ocorreu no momento em que o fiscal tributário do Estado, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, chegava com um chaveiro para abrir o imóvel e foi baleado na varanda.
Ele arrematou a casa em leilão e foi até o local para tomar posse. Bernal não aceitava a venda e acabou atingindo o homem com dois tiros. Foi realizado procedimento de ressuscitação por 25 minutos, mas o servidor estadual não resistiu e morreu no local.
A filha de Roberto, Melina Mazzini, acompanha a perícia no endereço do crime, mas a polícia isolou o local e e impede o contato da imprensa com a jovem.
Testemunhas informaram à reportagem que, após o crime, o ex-prefeito fugiu sem prestar socorro, mas se entregou logo depois na 1ª Delegacia de Polícia, na Rua Padre João Crippa. Pessoas que passavam pelo local e viram a cena acionaram a PM.
O imóvel, em terreno de 1.440 m² e com área construída de 678 m², avaliado em R$ 3,7 milhões, foi a leilão em 2025 por conta de dívidas, com lance mínimo de R$ 2,4 milhões. Só em IPTU, são R$ 344 mil em pendências na casa em questão.
Também no ano passado, outra decisão desfavorável a Bernal expôs dívidas judicializadas. A Justiça do Tocantins deu prazo para que ele pagasse dívida de pensão alimentícia superior a R$ 112 mil, referente a 36 meses sem pagamento entre 2013 e 2016, além de dois 13º salários.
A ação foi movida pelo filho, que relatou dificuldades financeiras. Na decisão, o juiz também estabeleceu multa e a possibilidade de penhora de bens, incluindo imóvel no Jardim Paulista.
Emocionada a filha da vítima conversa com bombeiro e policiais (Foto: Renan Kubota)
Passado político
Famoso como radialista, Alcides Bernal foi vereador de Campo Grande por dois mandatos e, em 2010, foi eleito deputado estadual. Em 2012, disputou a Prefeitura de Campo Grande e venceu no segundo turno, com 62,55% dos votos válidos.
Durante o mandato como prefeito, teve uma gestão marcada por conflitos políticos. Foi cassado pela Câmara Municipal sob acusação de nove crimes político-administrativos, tornando-se o único prefeito cassado da história da cidade.
A decisão foi suspensa por liminar da Justiça em 2014, o que permitiu seu retorno ao cargo, mas acabou revertida poucas horas depois pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Em 2015, voltou novamente à prefeitura por decisão judicial.
Em 2016, tentou a reeleição, mas não chegou ao segundo turno, ficando de fora por 2.630 votos.
Com informações do Campo Grande News


