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Além do HIV, especialistas alertam sobre proteção de outras infecções sexuais no Carnaval

Geral – 11/02/2013 – 10:02

Não é só o HIV que preocupa os profissionais de saúde nessa época do ano. Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) como a clamídia, que causa infertilidade em homens e mulheres, também podem ser prevenidas com o uso de preservativos. Desconhecida do grande público, a DST é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa evitável da infertilidade em todo o mundo.

De acordo com a OMS, ocorrem 92 milhões de novos casos da infecção a cada ano. A preocupação é que essa doença acomete mais a população jovem. No Brasil, cerca de 10% das jovens na faixa de 15 anos a 24 anos, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), são identificadas com a doença, de acordo com estudo elaborado em 2011 pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

“Como é uma doença sexualmente transmissível, a clamídia ataca mais as pessoas que têm múltiplos parceiros. Por isso, acomete pessoas mais jovens”, explica Hélio Magarinos Torres Filho, presidente regional da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica do Rio de Janeiro.

Especialista em reprodução humana pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e membro da Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (Redlara), Márcio Coslovsky explica que a clamídia é um micro-organismo, transmissor de uma bactéria que acomete casais em plena atividade sexual. Normalmente é uma infecção sem sintomas. “Não aparece no preventivo, no exame de sangue comum. Não dá ardência, não dá mau cheiro nem dá secreção vaginal exagerada. A pessoa simplesmente não sabe que tem a doença”, afirma.

Magarinos adverte, contudo, que a clamídia só vai causar infertilidade depois de um tempo de infecção. “Ela começa a sair do útero e vai para as trompas onde pode causar danos por obstrução ou aderência. Isso é que pode causar infertilidade na mulher”. A clamídia é causada pela bactéria Chlamydia trachomatis.

Segundo a OMS, a doença responde por 25% das causas de infertilidade, sendo 15% nas mulheres e 10% nos homens. A doença pode ser revertida através de tratamento com antibióticos se diagnosticada rapidamente. Contudo, a maioria dos casais apenas a descobrem depois de muito tempo, quando tentam engravidar e não conseguem.

Há dois tipos de exames para detectar a clamídia, segundo Magarinos: a pesquisa de anticorpos no sangue, e o de secreções genitais, que é feito por biologia molecular na uretra, no homem, e no colo uterino, na mulher. O exame de secreções captura fragmentos do DNA da clamídia nas amostras.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, cerca de 2,8 milhões de americanos estão infectados com clamídia e não sabem. Márcio Coslovsky estimou que no Brasil o número pode ser a metade disso, tomando por base a população de jovens na faixa dos 17 aos 26 anos, com vida sexual ativa. Entretanto não há números catalogados.

Recomenda-se que o exame para detecção de clamídia seja realizado duas vezes por ano, especialmente para mulheres e homens jovens com vida sexual ativa. Para se prevenir não há outra forma, é necessário usar camisinha.

Fonte: Agência de Notícias da Aids com informações da Agência Brasil

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