Em dez anos, valor gerado pelo setor industrial no Estado cresceu 179%, impulsionado pela agroindústria, bioenergia e novos investimentos
Mato Grosso do Sul vive um dos momentos mais expressivos de transformação econômica de sua história recente. Tradicionalmente marcado pela força da agropecuária, o Estado consolidou nos últimos anos uma nova matriz produtiva e passou a ocupar posição de destaque nacional na agroindústria e na indústria de transformação.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em uma década, o Valor da Transformação Industrial (VTI) de Mato Grosso do Sul cresceu 179% em termos nominais, saltando de R$ 12,2 bilhões para R$ 34 bilhões — a maior variação registrada entre todos os estados brasileiros. O indicador mede a riqueza gerada pelo setor industrial a partir da diferença entre o valor da produção e o custo dos insumos utilizados.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, o resultado reflete a estratégia adotada pelo Governo do Estado de estimular a agregação de valor à produção primária, fortalecer a agroindústria e incorporar a agenda ambiental ao modelo de desenvolvimento.
De acordo com o secretário, o avanço econômico tem sido acompanhado por políticas voltadas à sustentabilidade, inovação tecnológica e atração de investimentos privados, criando um ambiente favorável à instalação de novas indústrias.
Outro destaque é o protagonismo do Estado na transição energética. Atualmente, Mato Grosso do Sul ocupa a quarta posição no ranking nacional de produção de etanol, é o quinto maior produtor de açúcar e o segundo na produção de etanol de milho.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen, afirma que o crescimento está diretamente ligado à construção de um ambiente de negócios estruturado e à atuação integrada das entidades do setor produtivo.
Segundo ele, o Estado reúne hoje cerca de R$ 90 bilhões em investimentos privados em diferentes áreas da economia, resultado de planejamento e da articulação entre governo, indústria e setor produtivo.
“Mato Grosso do Sul cresce a dois dígitos, deixando muitas vezes até a China para trás”, destacou Longen, ao comentar o ritmo de expansão da economia estadual.
Para o dirigente, a evolução do setor industrial está diretamente ligada à diversificação produtiva. O Estado, que antes tinha a economia baseada majoritariamente na produção de grãos, passou a investir na industrialização do agro, ampliando cadeias produtivas ligadas ao etanol, biocombustíveis, proteína animal e energia de biomassa.
Entre os exemplos desse processo está a atuação da Metalfrio Solutions, empresa global de origem brasileira e referência mundial no setor de refrigeração comercial. A companhia instalou sua primeira fase de produção em 2005 no município de Três Lagoas e, ao longo dos anos, ampliou suas operações até transferir integralmente as atividades anteriormente realizadas em São Paulo.
Segundo o executivo da empresa, Luiz Eduardo M. Caio, a decisão de consolidar a operação no Estado levou em consideração fatores como infraestrutura, disponibilidade de mão de obra, incentivos fiscais e apoio institucional.
Atualmente, a unidade instalada em Três Lagoas possui capacidade para produzir até 500 mil equipamentos por ano, destinados ao mercado brasileiro e aos países do Mercosul, gerando mais de mil empregos diretos e contribuindo para a diversificação econômica regional.
Outro exemplo da expansão industrial é a Usina Sonora, instalada no município de Sonora, no norte do Estado. Fundada em 1976, a unidade iniciou sua primeira safra de cana-de-açúcar em 1979 e se tornou um importante vetor de desenvolvimento econômico da região.
Segundo o diretor-presidente da empresa, Luca Giobbi, a usina contribui diretamente para a geração de empregos e renda, além de fortalecer a economia de municípios vizinhos.
Atualmente, a unidade possui capacidade instalada para produzir 150 mil toneladas de açúcar bruto por ano e cerca de 90 mil metros cúbicos de etanol, destinados a diferentes estados brasileiros.
Além da produção sucroenergética, a empresa investe na geração de energia a partir de fontes renováveis, como biomassa da cana-de-açúcar, hidrelétrica e energia solar, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e a transição para uma economia de baixo carbono.
Com aproximadamente 1.800 colaboradores diretos, a Usina Sonora está entre os maiores empregadores da região e exerce papel relevante no desenvolvimento social e econômico local.
Às vésperas de completar 50 anos de história em 2026, a empresa projeta a continuidade dos investimentos e da estratégia de crescimento sustentável, acompanhando o novo ciclo de desenvolvimento industrial vivido por Mato Grosso do Sul.


