Com alta de 18,6% no PIB do setor em 2025, Estado alia tecnologia, gestão profissional e políticas públicas para impulsionar produção
O agronegócio de Mato Grosso do Sul registrou, em 2025, o maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor entre os estados brasileiros, alcançando alta de 18,6%. Os dados constam na Resenha Regional do Banco do Brasil, divulgada em fevereiro, e colocam o Estado à frente de Mato Grosso (18,5%) e Goiás (13,4%).
O desempenho reflete a combinação entre capacidade produtiva, inovação tecnológica e políticas públicas de incentivo ao produtor rural, consolidando Mato Grosso do Sul como potência nacional no setor.
Tradição que evoluiu com tecnologia
Um exemplo dessa trajetória é a Fazenda Cachoeirão, localizada na região de Bandeirantes, próxima à MS-245. A propriedade iniciou as atividades em 1952, quando a pecuária era praticamente a única alternativa econômica no Cerrado sul-mato-grossense.
Segundo o produtor Nedson Rodrigues, um dos proprietários, a grande virada tecnológica ocorreu na década de 1970, com a introdução da braquiária pela Embrapa, possibilitando a formação de pastagens mais produtivas.
A partir de 1991, a nova geração assumiu a gestão da fazenda e iniciou um processo de intensificação produtiva. Em 2005, mesmo em solo arenoso considerado frágil, a propriedade passou a integrar agricultura e pecuária — sistema que hoje é referência regional.
Atualmente, a fazenda trabalha com ciclo completo na pecuária — cria, recria, cruzamento industrial, confinamento e abate precoce — além da produção de soja, milho e feijão, com áreas irrigadas para ganho de produtividade. São 7,5 mil hectares, sendo 22% destinados à reserva legal, e 37 funcionários diretos.
A gestão profissional e o planejamento sucessório também fazem parte da estratégia, com filhos e sobrinhos já integrados à administração.
Diversificação e políticas de incentivo
O crescimento do agro sul-mato-grossense é impulsionado pela diversificação produtiva. Além da soja e do milho, o Estado se destaca na produção de carne bovina, suinocultura, piscicultura, amendoim, citricultura e no chamado Vale da Celulose.
Para fortalecer o setor, o Governo do Estado implementou programas como:
- Proape (Programa de Apoio à Produção Agropecuária);
- Precoce MS, voltado à produção de bovinos de corte de alta qualidade;
- Leitão Vida, de incentivo à suinocultura;
- Peixe Vida, direcionado à piscicultura;
- Carne Sustentável, com foco na produção orgânica no Pantanal;
- Prosolo (Plano Estadual de Manejo e Conservação do Solo e Água).
As iniciativas são coordenadas pela Semadesc e buscam ampliar competitividade, sustentabilidade e geração de renda no campo.
Futuro promissor
Para produtores como Nedson Rodrigues, o momento é de consolidação e crescimento contínuo. Ele avalia que Mato Grosso do Sul já se tornou referência nacional tanto em genética quanto na qualidade da carne produzida.
A aposta, segundo ele, segue sendo trabalho, atualização constante e uso intensivo de tecnologia — pilares que sustentam um agro cada vez mais profissional e preparado para os desafios futuros.
Com resultados expressivos e políticas públicas estruturadas, Mato Grosso do Sul reforça seu protagonismo no cenário nacional e projeta novos ciclos de expansão no agronegócio.


