Ponta Porã lidera crescimento entre as principais economias do Estado, impulsionada por serviços, logística e investimentos na faixa de fronteira
Mato Grosso do Sul contabilizou a abertura de 51.651 novos registros de microempreendedores individuais ao longo dos 12 meses de 2025. Considerando os 253 dias úteis do ano, o volume representa uma média superior a 204 novos MEIs formalizados por dia em todo o Estado, ou cerca de 4.300 por mês.
O número de microempreendedores individuais ativos também apresentou crescimento expressivo. De acordo com dados da Receita Federal, divulgados pelo Sebrae-MS, o Estado passou de 147.706 registros ativos em 2024 para 171.478 no ano passado, um aumento de 16% no período de um ano.
Especialistas apontam que o avanço acompanha uma tendência nacional. Atualmente, quase 70% dos CNPJs do país são representados por microempreendedores individuais. O economista Renato Gomes avalia que o alto custo da contratação via Consolidação das Leis do Trabalho tem levado empresas a buscarem alternativas mais baratas, como a contratação por meio de MEIs.
Já o economista Eduardo Matos destaca que o crescimento também está relacionado ao fenômeno conhecido como pejotização. Segundo ele, a contratação de prestadores de serviço como pessoa jurídica reduz encargos trabalhistas, como FGTS e indenizações rescisórias, tornando tanto a admissão quanto a demissão menos onerosas para as empresas.
Fronteira em destaque
Na fronteira com o Paraguai, Ponta Porã desponta como o município com maior crescimento proporcional de microempreendedores entre as cinco principais economias de Mato Grosso do Sul. Com população superior a 98,5 mil habitantes, a cidade registrou aumento de 32,48% no número de MEIs entre 2021 e 2025, superando Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá.
Entre as atividades que mais cresceram no município estão os serviços de beleza, como cabeleireiros, manicures e pedicures, que passaram de 266 registros em 2021 para 340 em 2025. Outro segmento em forte expansão é o de serviços de entrega e malote fora dos Correios, impulsionado pelo comércio eletrônico. O número de empreendedores nessa área saltou de 15 para 86 em cinco anos, um crescimento de 473%.
Também houve avanço significativo nas atividades médicas ambulatoriais voltadas a consultas, ligadas a modalidades mais acessíveis do que os planos de saúde tradicionais. O número de registros nesse segmento passou de 73 para 125, um aumento de 109%.
O cenário é reforçado por investimentos públicos e privados na região. Por meio do projeto Desenvolvimento na Faixa de Fronteira, recursos do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul somam US$ 7 milhões, com contrapartida estadual de mais de US$ 2,6 milhões. Somam-se a isso o projeto Avança Ponta Porã, com previsão de R$ 300 milhões em investimentos, além de aportes do lado paraguaio, em Pedro Juan Caballero, que ultrapassam US$ 220 milhões desde 2019.
Entre Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá, apenas Corumbá registrou uma leve retração em um dos períodos analisados, com queda inferior a 1% entre 2023 e 2024. Ainda assim, o município apresentou recuperação entre 2024 e 2025, com crescimento de 8,92%.
Três Lagoas, inserida na região de expansão da indústria de celulose, teve crescimento médio anual de 4,52% e aparece como a terceira maior alta acumulada no período de cinco anos, com 24,46%. Dourados ocupa a segunda posição no ranking estadual, com aumento de 29,9%.
Campo Grande manteve crescimento consistente na abertura de MEIs entre 2021 e 2025, alcançando 22,7%, embora sem se destacar em relação aos demais grandes municípios.
O avanço do empreendedorismo no Estado, especialmente em regiões estratégicas como a fronteira, reforça a importância da formalização de pequenos negócios como motor da economia sul-mato-grossense.
com informções Correio do Estado


