Com quase 20% do total exportado pelo Estado, município se destaca pela força da indústria de celulose, consolidando posição estratégica na economia
Três Lagoas segue como o principal polo exportador de Mato Grosso do Sul, de acordo com os dados da Carta de Conjuntura do Comércio Exterior, elaborada pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) com base nas informações do ComexStat, do Governo Federal.
Conforme o levantamento, o município concentrou 19,68% de todas as exportações do Estado em 2025, impulsionado pelo desempenho da indústria de celulose, que mantém ritmo acelerado de produção e escoamento.
Logo atrás, Ribas do Rio Pardo aparece em segundo lugar, com aproximadamente 11% das exportações estaduais, ultrapassando Dourados e Campo Grande, com o avanço diretamente relacionado à expansão das atividades florestais e industriais na região.
“É importante lembrar que, diferentemente da celulose, a soja tem origem bastante diluída, estando presente em mais de 60% dos municípios do Estado, o que explica essa diferença de concentração regional”, destacou o secretário Jaime Verruck.
Mato Grosso do Sul encerrou o ano de 2025 com o maior valor de exportações da sua história, totalizando US$ 10,7 bilhões, o que representa um crescimento de 7,51% em relação a 2024. O resultado supera o recorde anterior, registrado em 2023, quando o Estado exportou US$ 10,6 bilhões.
A pauta exportadora segue concentrada em três grandes cadeias produtivas:
- Celulose, com 28,98% do total exportado;
- Soja, com 22%;
- Carne bovina, com 17%.
Esses setores seguem sendo a base da economia sul-mato-grossense, responsáveis pela geração de empregos, renda e divisas. “Essas três cadeias são hoje a base das exportações de Mato Grosso do Sul e têm enorme relevância para a geração de renda e empregos”, destacou Verruck.
O desempenho positivo das exportações também está diretamente ligado à logística. O Porto de Santos foi o principal canal de saída das mercadorias, respondendo por 38% do total exportado, com forte utilização do transporte ferroviário por meio da Malha Norte.
Na sequência, Paranaguá concentrou cerca de 33% das exportações, principalmente de soja, e São Francisco do Sul, 12%, com destaque para as proteínas animais. Corumbá respondeu por cerca de 5%, com ênfase no transporte de minérios.
O setor mineral também se destacou: “Com a manutenção do calado do rio ao longo de 2025, foi possível ampliar a produção mineral. O Estado bateu recorde de exportação de minério de ferro, com volume superior a 8 milhões de toneladas”, explicou Verruck.
As importações somaram US$ 2,8 bilhões em 2025, representando uma queda de 3,4% em relação ao ano anterior. O gás natural segue como principal item importado, seguido por máquinas para a indústria de papel e celulose e cobre, que refletem a presença de setores industriais consolidados no Estado.
A China manteve-se como principal destino das exportações sul-mato-grossenses, com 48,57% de participação, seguida pelos Estados Unidos. Mesmo diante de um cenário internacional adverso, com restrições comerciais impostas pelos EUA e impactos em outros segmentos, o Estado demonstrou capacidade de adaptação e resiliência.
“Conseguimos realocar produtos para outros mercados e manter o fluxo normal de produção, inclusive com ajustes na pauta, como no caso da celulose, que deixou de ser direcionada ao mercado americano”, concluiu o secretário Jaime Verruck.


