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sexta-feira, 22 de maio, 2026

Brasil tem mais alunos em cursos a distância do que presenciais pela primeira vez

Virada histórica no ensino superior foi revelada pelo Censo da Educação Superior 2024, divulgado pelo Inep

Pela primeira vez na história do ensino superior brasileiro, o número de estudantes matriculados em cursos de graduação a distância superou o de alunos no ensino presencial. É o que mostra o Censo da Educação Superior 2024, divulgado na última segunda-feira (22) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Segundo os dados, 50,75% dos universitários brasileiros estão matriculados na modalidade EAD, o que representa 5,18 milhões de estudantes. Já os cursos presenciais reúnem 5,04 milhões de alunos, de um total de 10,22 milhões de matrículas ativas no país.

O avanço do ensino remoto confirma uma tendência observada desde 2020, quando o número de novos ingressantes no EAD ultrapassou o do presencial. Agora, a virada ocorre também no volume total de matrículas.

CRESCIMENTO
O levantamento aponta que 67% dos ingressantes em 2024 optaram pelo ensino a distância, o que corresponde a 3,34 milhões de alunos. Em contraste, os cursos presenciais receberam 1,66 milhão de novos estudantes.

Nos últimos dez anos, os cursos presenciais perderam 30% das matrículas, enquanto o EAD cresceu 360%, principalmente na rede privada. Quatro estados concentram quase 90% da oferta de cursos remotos: São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

O Inep também relaciona o fenômeno à redução no número de cursos noturnos presenciais. Em 2014, havia cerca de 4 milhões de estudantes em turmas à noite. Em 2024, esse número caiu para 2,7 milhões, uma queda de 33%. A pesquisa indica que muitos desses estudantes migraram para o modelo remoto.

REGULAÇÃO
Apesar da consolidação da modalidade, o ritmo de crescimento do EAD está desacelerando. Entre 2022 e 2023, as matrículas subiram 13,4%. Já de 2023 para 2024, o avanço foi menor: 5,6%.

A redução no crescimento pode estar ligada às novas diretrizes do Ministério da Educação (MEC). Em maio, o governo federal proibiu cursos 100% online em áreas como medicina, direito, odontologia, enfermagem e psicologia. Outras graduações em saúde e licenciaturas só poderão funcionar nos formatos presencial ou semipresencial.

Também foram definidos limites para a carga horária remota em cursos presenciais e criada a categoria “semipresencial”, que mescla atividades online com aulas obrigatórias presenciais. O objetivo é preservar a qualidade da formação em áreas que exigem práticas laboratoriais e interações presenciais.

DADOS
Os dados regionais detalhados ainda não foram publicados pelo Inep. A expectativa é que eles tragam um retrato mais preciso sobre a distribuição e o impacto do EAD nas diferentes regiões do país.

Com informações Campo Grande News

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