33.1 C
Três Lagoas
domingo, 8 de fevereiro, 2026

Melatonina: o que é, para que serve e os riscos do uso sem prescrição

Uso descontrolado do “hormônio do sono” preocupa médicos e pode gerar efeitos adversos

Na mesa do jantar, no grupo da família ou no feed das redes sociais, o enredo se repete: alguém jura que a melatonina é a salvação para noites mal dormidas. Seja a tia que compartilhou uma mensagem no WhatsApp ou o entusiasta da academia que busca “otimizar o sono”, a substância virou queridinha.

A popularidade, porém, esconde mitos e riscos. Especialistas em sono e saúde mental alertam que o uso indiscriminado da melatonina está longe de ser inofensivo.

“Esse consumo generalizado não faz sentido nenhum do ponto de vista médico. Cada pessoa é diferente. Algumas podem se beneficiar, desde que com prescrição, e outras não”, afirma o psiquiatra e médico do sono José Carlos Rosa Pires de Souza.

HORMÔNIO
Mas o que é, afinal, a melatonina?

Trata-se de um hormônio produzido naturalmente pela glândula pineal, no cérebro. É ele quem regula o ciclo do sono e avisa o corpo que está na hora de descansar.

O que se vende nas farmácias, no entanto, é um suplemento alimentar produzido em laboratório, e não uma cópia fiel da substância natural.

“Funciona mais como um sedativo leve. É uma ajuda pontual, e não uma solução universal”, explica o médico.

USO
Serve para qualquer tipo de insônia?

Nem de longe. A melatonina sintética é indicada principalmente para distúrbios do ritmo biológico, como o jet lag, após viagens longas entre fusos horários.

“Nesses casos, a substância pode ajudar a induzir o sono e ajustar o relógio interno. Fora disso, seu uso tende a ser mal direcionado”, afirma o especialista.

Mesmo assim, muita gente tem consumido o suplemento como se fosse uma cápsula mágica para emagrecer ou combater o cansaço, já que o sono afeta o metabolismo e regula hormônios ligados ao apetite.

Mas esse “atalho” pode custar caro.

EFEITOS
O uso sem orientação médica pode trazer consequências.

Entre os efeitos colaterais estão sonolência durante o dia, dor de cabeça, desorientação e, em casos mais graves, o agravamento de quadros depressivos preexistentes.

“A automedicação, ainda mais com uma substância que interfere diretamente no funcionamento do cérebro, nunca é inofensiva”, alerta o psiquiatra.

HÁBITOS
O que realmente ajuda a dormir melhor?

A resposta está na chamada higiene do sono, um conjunto de práticas simples que melhoram a qualidade do descanso de forma consistente. Entre elas:

  • Dormir em ambiente escuro e silencioso;
  • Evitar cafeína, álcool e nicotina após o meio-dia;
  • Reduzir a exposição a telas antes de dormir;
  • Praticar atividades físicas com pelo menos três horas de antecedência do horário de dormir.

“Essas medidas são muito mais eficazes do que apostar diretamente em um suplemento”, reforça o médico.

INDICAÇÃO
Existe quem realmente precise de melatonina?

Sim, mas são exceções. Casos específicos como o jet lag ou alguns distúrbios do ritmo circadiano podem se beneficiar da substância e, mesmo assim, nem sempre os resultados são significativos.

“Muitas vezes, o efeito chega a ser quase placebo”, avalia o especialista.

CUIDADO
A banalização do uso preocupa. O modismo em torno da melatonina cria a falsa ideia de que qualquer pessoa pode tomá-la sem riscos, o que é perigoso.

“Toda medicação pode ter efeitos colaterais, e cada organismo reage de maneira diferente. Por isso, o acompanhamento médico é essencial”, conclui.

Se o sono não vai bem, o primeiro passo não é ir à farmácia, é olhar para a própria rotina. E, quando necessário, buscar orientação profissional. Porque dormir bem é um direito, mas tratar o sono com seriedade é uma escolha.

Com informações Campo Grande News

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

Congresso deve priorizar redução da jornada de trabalho em 2026

PEC em análise no Senado prevê fim gradual da escala 6x1, ampliação do descanso semanal e redução da carga horária para 36 horas A redução...

Alta nos casos de maus-tratos a animais leva Senado a acelerar projetos de proteção

Crescimento de ações judiciais e episódios de violência contra cães e gatos impulsionam propostas que endurecem penas e criam novos mecanismos de prevenção O aumento...

Inscrições do Voucher Desenvolvedor para alunos da rede pública encerram hoje

Programa oferece 124 vagas gratuitas em curso técnico de Desenvolvimento de Sistemas em cinco cidades de Mato Grosso do Sul