23 C
Três Lagoas
domingo, 24 de maio, 2026

Retrato do preconceito: discriminação racial marca a vida de 84% dos pretos no país

Uma pesquisa inédita apoiada pelo Ministério da Igualdade Racial revelou que 84% da população preta no Brasil já sofreu algum tipo de discriminação. O estudo, conduzido pelas organizações Vital Strategies Brasil e Umane, ouviu 2.458 pessoas de todo o país entre agosto e setembro de 2024 e utilizou uma escala de discriminação cotidiana.

Os dados mostram que pretos são os mais afetados por ações discriminatórias em comparação com pardos e brancos. Entre os entrevistados pretos, 57% relataram ter recebido atendimento pior que outras pessoas em restaurantes e lojas; 51,2% disseram ser tratados com menos gentileza; e 49,5% afirmaram ser tratados com menos respeito. Entre os brancos, esses índices caem para 7,7%, 13,9% e 9,7%, respectivamente.

Mulheres pretas são o grupo mais afetado: 72% delas relataram ter sofrido mais de um tipo de preconceito. Entre os homens pretos, o índice é de 62,1%. Em comparação, 30,5% das mulheres brancas e 52,9% dos homens brancos relataram múltiplas formas de discriminação.

O estudo também destacou que, para 84% dos pretos, o preconceito está relacionado à cor da pele, enquanto entre os brancos esse percentual é de apenas 8,3%. Outros tipos de discriminação identificados foram por orientação sexual, renda, religião e obesidade.

A pesquisa contou com apoio técnico da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e do Instituto Devive. Os organizadores defendem que os dados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas ao combate do racismo estrutural, especialmente no sistema de saúde.

Segundo Pedro de Paula, diretor da Vital Strategies Brasil, a discriminação impacta diretamente a saúde mental, o acesso a serviços e o bem-estar da população negra. Ele afirma que “qualquer grupo ou instituição que atua na área social tem o dever de enfrentar essa desigualdade racial brutal”.

O levantamento se soma a outras estatísticas que evidenciam a desigualdade racial no Brasil. O Atlas da Violência mostra que pessoas negras têm 2,7 vezes mais chances de serem vítimas de homicídio. Já o Censo 2022 indica que 72,9% dos moradores de favelas são pretos ou pardos, e a taxa de desemprego entre eles é maior que a de brancos.

Os pesquisadores esperam que os dados sirvam de base para políticas públicas que considerem o enfrentamento do racismo como prioridade transversal em áreas como saúde, segurança e emprego.

Com informações Agência Brasil

Deu na Rádio Caçula? Fique sabendo na hora!
Siga nos no Google Notícias (clique aqui).
Quer falar com a gente? Estamos no Whatsapp (clique aqui) também.

Veja também

Polícia Militar intervém em ataque contra idoso e suspeito acaba morto em Três Lagoas

Um homem identificado como Renato Marian, de 40 anos, morreu na noite deste sábado (24), após ser baleado durante uma intervenção da Polícia Militar...

Polícia Militar prende suspeito de tráfico de drogas e captura foragido da Justiça

Na manhã deste domingo (25), por volta das 8h, equipes da Polícia Militar de Aparecida do Taboado, com apoio do CHOQUE da PMMS, realizaram...

Jovem morre após grave acidente de moto na madrugada deste domingo em Três Lagoas

Três Lagoas voltou a registrar mais uma morte no trânsito neste mês de maio. Um grave acidente envolvendo uma motocicleta, ocorrido na madrugada deste...