A história de João Lucas, um pequeno três-lagoense, é um relato comovente de superação, mas também um retrato chocante da negligência e da burocracia que muitas famílias enfrentam no Sistema Único de Saúde (SUS). Sua mãe, Rafaela, compartilhou detalhes da longa e dolorosa batalha para garantir o tratamento que o filho precisava, enquanto expôs as falhas graves da antiga gestão municipal, que deixou João Lucas à mercê de um sistema lento e desumano.
Rafaela contou que sua gestação foi tranquila, sem complicações. No entanto, quando João Lucas completou seis meses de vida, ela percebeu que algo não estava certo. “Ele era bem molengo para sentar, não segurava a cabeça”, relatou. Preocupada, ela procurou o pediatra, mas foi recebida com descaso. “Ele disse: ‘mãe, para de pôr doença no seu filho’. Eu nunca vi uma mãe pôr doença no filho”, desabafou Rafaela, que insistiu em pedir exames, mas foi ignorada.
Sem respostas, Rafaela buscou uma segunda opinião. Foi então que uma pediatra identificou que João Lucas havia sofrido um AVC (Acidente Vascular Cerebral). “Eu fiquei sem entender, saí da sala toda viajando, sem entender nada”, relembrou. A partir daí, começou uma jornada exaustiva em busca de diagnóstico e tratamento.
Com um ano de idade, João Lucas finalmente passou por exames mais detalhados, como tomografia e ressonância magnética, que confirmaram a presença de um cisto porencefálico no cérebro. O diagnóstico foi devastador: o menino precisava de uma cirurgia de urgência. No entanto, a antiga gestão de Três Lagoas falhou repetidamente em fornecer o atendimento necessário.
Rafaela relatou que, mesmo com laudos médicos indicando a urgência do caso, o pedido de cirurgia foi classificado como “amarelo” (prioridade média) pelo sistema de saúde municipal. “O médico falou que ele era uma bomba-relógio, que a qualquer momento poderia morrer, mas mesmo assim disseram que teríamos que esperar de quatro a seis meses”, contou Rafaela, indignada.
A família foi obrigada a entrar com um processo na Justiça para conseguir uma liminar e agilizar a cirurgia. Mesmo assim, a primeira intervenção, realizada em 2021, foi frustrante. “O médico abriu e fechou a cabeça do meu filho sem fazer nada”, lamentou Rafaela. Somente na segunda cirurgia, conseguida após muita luta, o procedimento foi realizado, mas João Lucas ficou em coma por sete dias e enfrentou complicações pós-operatórias.
A demora no tratamento trouxe sequelas graves para João Lucas. Ele desenvolveu mioparesia (fraqueza muscular) e escoliose, além de problemas nos pés, que exigirão novas cirurgias no futuro. “Ele precisava dessa cirurgia desde que nasceu. A demora piorou sua condição”, afirmou Rafaela.
A mãe destacou que a negligência da antiga gestão não apenas prolongou o sofrimento de João Lucas, mas também agravou suas condições de saúde. “Hoje, ele tem limitações físicas e precisa de cuidados constantes. Ele cai bastante, e o médico alertou que ele não pode bater a cabeça. Por isso, evito que ele vá à escola”, explicou.
Rafaela destacou a diferença no atendimento após a mudança na gestão municipal. “O prefeito atual e sua equipe se mostraram sensíveis ao nosso caso”, disse. A nova administração facilitou o acesso a consultas e cirurgias, além de fornecer uma cadeira especial para João Lucas. “Hoje, o SUS está ajudando bastante”, afirmou.
Ela contou que o prefeito Cassiano Maia e sua equipe visitaram sua casa para conhecer de perto a história de João Lucas. “Ele se mostrou humano e sensível. Isso já valeu muito a pena para mim”, disse Rafaela, emocionada. A nova gestão também cedeu uma cadeira de rodas adaptada para o menino, algo que a família nunca havia recebido antes.

A história de João Lucas expõe falhas graves na administração anterior de Três Lagoas. A classificação incorreta do caso como “amarelo”, apesar dos riscos de morte iminente, a demora na liberação de exames e a falta de suporte às famílias em situações críticas são exemplos de negligência que colocam vidas em risco.
Rafaela preferiu não citar nomes, mas deixou claro que a antiga gestão falhou com sua família. “Só não, só não, só não. Sempre porta fechada”, resumiu, ao descrever as tentativas frustradas de conseguir ajuda.
Apesar das dificuldades, Rafaela mantém a esperança de que o futuro será melhor para João Lucas, além da ajuda da equipe do prefeito Cassiano Maia, ela também conta com o amparo de um grande amigo da família, juntamente com a equipe do vereador Davis Martinelli que expôs o caso na tribuna da Câmara Municipal de Três Lagoas. “Hoje estou mais calma, mas ainda há muito pela frente. Vamos levar a vida do jeito que Deus permitir”, finalizou Rafaela.


