Dirigente do templo Maria Conga falou sobre a intolerância e espiritualidade na “Semana da Mulher” do A Hora da Notícia da Caçula FM.
Nesta segunda-feira, 03, o programa “A Hora da Notícia”, da Caçula FM 96,9 iniciou a semana especial da mulher recebecendo Verônica Matos, dirigente e sacerdotisa do Templo de Umbanda Maria Conga. A entrevista abriu a programação especial da Semana da Mulher, trazendo uma reflexão sobre a trajetória feminina na espiritualidade e o enfrentamento da intolerância religiosa.
Verônica compartilhou sua história de vida e como encontrou na Umbanda o seu caminho espiritual. Criada em uma família de diferentes tradições religiosas, passou por diversas crenças até se identificar com a ancestralidade da Umbanda. “Eu sempre estudei muito a espiritualidade sem rótulos. Mas quando cheguei à Umbanda, senti um chamado profundo, um sentimento de pertencimento”, relatou.
A sacerdotisa também falou sobre os desafios de conciliar sua atuação religiosa com a vida profissional. Engenheira mecânica e funcionária de uma grande empresa do setor de celulose, ela contou como enfrenta questionamentos no ambiente de trabalho. “Há muita curiosidade e, em alguns casos, preconceito. Já ouvi falas que refletem a intolerância, como a ideia de que nossa fé está ligada a algo negativo. Mas sempre busco esclarecer e mostrar que o respeito é fundamental”, afirmou.
O preconceito contra religiões de matriz africana foi um dos temas centrais da entrevista. Verônica destacou que, apesar do avanço da informação, ainda há muitas concepções errôneas sobre a Umbanda e o Candomblé. “Temos a internet, temos livros, mas muitos preferem se apegar ao desconhecimento. O convite sempre está aberto para quem quiser conhecer de verdade nossa fé, sem preconceitos”, disse.
Ela também citou sua participação em palestras sobre intolerância religiosa, incluindo uma no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), onde teve a oportunidade de esclarecer dúvidas sobre as práticas da Umbanda. “Foi um momento muito rico. O público era majoritariamente de outras crenças, e surgiram questões muito interessantes, como nossa visão sobre a morte e a ancestralidade”, contou.
A entrevista reforçou a importância do diálogo inter-religioso e do respeito à diversidade. Ao final, Verônica deixou um convite: “Quem tiver curiosidade, venha conhecer. Nossa casa está aberta. O mais importante é o respeito”.