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quarta-feira, 21 de outubro, 2026

BR-262 enfrenta crise de segurança e infraestrutura com aumento de fluxo de caminhões e baixo efetivo da PRF

A BR-262, um dos principais eixos logísticos de Mato Grosso do Sul, está em situação crítica. A seca severa do Rio Paraguai, que reduziu drasticamente a navegabilidade da hidrovia, dobrou o fluxo de caminhões na rodovia, sobrecarregando uma infraestrutura já precária e um efetivo policial insuficiente. Diante desse cenário, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) cobrou reforço imediato para a fiscalização e segurança no trecho, atendendo a um pleito do vereador de Corumbá, Chicão Viana (PSD-MS), e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O parlamentar solicitou uma audiência com o Ministério da Justiça para tratar da situação e pedir a ampliação do efetivo da PRF em Corumbá. A data do encontro ainda não foi confirmada pelo ministério.

A BR-262, que liga Campo Grande a Corumbá, é um dos principais corredores de escoamento de produção do Estado, mas também é palco de tragédias ambientais. Dados do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) revelam que, em um ano, vários animais silvestres foram atropelados no trecho entre Campo Grande e a ponte do Rio Paraguai, próximo a Corumbá. “São cerca de 200 animais do Pantanal mortos todos os meses na rodovia”, denunciou Nelsinho Trad.

O senador destacou que a rodovia está sobrecarregada devido ao aumento do tráfego de caminhões, que subiu 100% por causa da seca do Rio Paraguai. “O escoamento de cargas ficou restrito à rodovia. Enquanto isso, há apenas seis policiais fixos em Corumbá para cuidar de toda essa situação. Tem lógica?”, questionou o parlamentar.

O inspetor da PRF, Francenildo Fernandes de Araújo, relatou as dificuldades enfrentadas pelos agentes no trecho. Segundo ele, o efetivo de Corumbá é insuficiente para cobrir toda a extensão da BR-262. “Temos a Delegacia de Corumbá, com três postos operacionais. O ideal seria ter três ou quatro policiais por unidade, mas trabalhamos com dois por dia. Às vezes, nem isso”, afirmou.

A escassez de agentes impacta não apenas a segurança viária, mas também o combate ao tráfico de drogas. “Aqui é a principal rota de entrada de cocaína no Brasil. As quadrilhas sabem da dificuldade da PRF em fiscalizar devido ao baixo efetivo e acabam aliciando motoristas para transportar drogas em caminhões. Já fizemos apreensões nesse sentido”, alertou Araújo.

O problema da BR-262 está diretamente ligado ao debate sobre a hidrovia do Rio Paraguai, tema de uma audiência pública da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) realizada nesta quinta-feira (06). “Precisamos de um olhar integrado para resolver essa crise”, explicou Nelsinho Trad.

O vereador Chicão Viana destacou a importância da atuação do senador como interlocutor com o Ministério da Justiça. “Acredito que o senador Nelsinho deva nos auxiliar muito, chamando atenção a nível nacional e lutando por essa realização que nós precisamos muito”, afirmou.

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