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quarta-feira, 28 de janeiro, 2026

A orquestra natural da Amazônia: monitoramento e tecnologia na preservação ambiental

Na profundidade da Amazônia, sons de animais como o canto dos pássaros, a vibração da onça-pintada e a comunicação dos pirarucus formam uma sinfonia natural. O biólogo Emiliano Ramalho, de 46 anos, usa essa analogia para explicar como o monitoramento contínuo dos animais é essencial para avaliar a saúde do ecossistema amazônico.

Ramalho é diretor técnico-científico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, em Tefé, Amazonas, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Desde 2016, ele coordena o Projeto Providence, que utiliza mais de 40 sensores de som e imagem espalhados pela floresta para monitorar espécies em tempo real. “A tecnologia nos permite observar comportamentos impossíveis de monitorar por meios naturais,” diz Ramalho.

O biólogo, que começou sua carreira contando pirarucus, tornou-se um dos maiores especialistas em ecologia e biologia de onças-pintadas, principalmente em ambientes de várzea. Ele destaca que a onça-pintada é fundamental para a conservação da floresta e vice-versa. “O equilíbrio social e natural depende de estratégias de conservação da biodiversidade amazônica,” afirma.

O cientista paulista Thiago Sanna Freire Silva, que se autointitula ecologista digital, leciona informática ambiental na Universidade de Stirling, na Escócia, e coordena projetos de monitoramento de florestas inundáveis. Ele utiliza a tecnologia Lidar para entender como mudanças na hidrologia afetam o ecossistema. Silva acredita que, frente às crises climáticas, é fundamental adaptar-se para prever e mitigar os impactos. “A adaptação é essencial antes de pensar em regeneração ambiental,” diz.

Luciana Gatti, química e coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), alerta para os sinais de desmatamento e crise climática percebidos na atmosfera. Desde 2003, suas pesquisas focam no papel da Amazônia na emissão e absorção de carbono. “Estamos matando a floresta de duas maneiras: direta e indiretamente,” explica Gatti. Ela defende a restauração florestal como plano de sobrevivência e sugere a redução do rebanho bovino brasileiro em 44%.

As iniciativas de monitoramento e conservação ganham destaque à medida que a Amazônia enfrenta desafios críticos. A série “Em Defesa da Amazônia”, que abre o ano da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), traz relatos de povos amazônicos e especialistas comprometidos com a defesa da floresta.

Com informações Agência Brasil

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