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Morre aos 82 anos o ex-governador do RS Amaral de Souza

Geral – 13/06/2012 – 09:06

Ligado ao PP (antiga Arena, ex-PDS), Amaral de Souza governou o RS entre 1979 e 1983

Morreu na manhã desta quarta-feira o ex-governador do Rio Grande do Sul José Augusto Amaral de Souza. Ele tinha 82 anos e será velado à tarde no Palácio Piratini e sepultado no Cemitério João XXIII. Amaral sofreu um AVC em outubro de 2006.

— Estamos entristecidos com a perda desse grande companheiro — lamentou o também ex-governador e colega de partido, Jair Soares, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Amaral governou o Estado entre 1979 e 1983, quando entregou o poder a Jair. Antes disso, foi deputado estadual, federal e vice-governador de Sinval Guazzeli no período 1975-1979.

A história de Amaral na política

Durante o governo de Yeda Crusius, Amaral de Souza doou o acervo de sua biblioteca particular ao Palácio Piratini. Composto por mil volumes, o acervo está à disposição na Biblioteca Pública do Estado.

— Abrir o espaço na biblioteca pública com seu acervo concretiza sua vontade de compartilhar o conhecimento com sua gente. Fortalecendo a educação como instrumento transformador para uma sociedade com igualdade e oportunidade — disse na ocasião a filha do político, Denise Souza da Costa.

Quando convidou José Augusto Amaral de Souza para assumir o Piratini, a partir de 1979, o presidente Ernesto Geisel (1974-1979) lhe fez um pedido:

— Você vai me ajudar a destampar a panela de pressão.

A missão de governar o Rio Grande do Sul durante os delicados anos de abertura política que antecederam o fim do regime militar no Brasil (1964-1985) era ostentada por Amaral de Souza com doses de orgulho.

A panela de pressão não demorou a ferver. Logo depois da posse como governador, em março de 1979, Amaral de Souza teve de administrar a primeira greve dos professores gaúchos durante a ditadura. Foram 13 dias de paralisação em 1979 em busca de reajustes salariais.

Ao relembrar o passado político para o programa Histórias, da TVCOM, em 2002, disse que procurou governar de uma forma que evitasse acirramentos:

— Ao assumir o governo, a minha grande preocupação era a transição política. Eu queria uma transição pacífica, não queria choques.

A opção de Geisel surpreendeu até mesmo a Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido de sustentação da ditadura militar. O mais cotado para a indicação era o deputado federal Nelson Marchezan, também da Arena. Amaral de Souza, então vice de Synval Guazzelli, gostava de dizer que chegara ao cargo não por simpatia e afinidade com os militares, mas pelo apoio que tinha dentro do partido.

Nascido em Palmeira das Missões em 1929, aos 10 anos de idade Amaral mudou-se para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Rosário. A família, que negociava erva-mate, não demorou na cidade grande e optou por retornar. Amaral de Souza ficou.

Na Capital, ele cursou duas faculdades simultaneamente: Direito, na UFRGS, e Filosofia, na PUCRS. Acabou entrando no movimento estudantil e chegou à vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) no início dos anos 50, com o Brasil imerso na campanha O Petróleo é Nosso.

— Éramos contra o radicalismo de esquerda — relembra.

Como político, Amaral definia-se como um conciliador. Garantia ter aprendido o ofício da moderação durante o período em que advogara no Interior. Em 1952, já formado, retornou para Palmeira das Missões, onde montou um escritório de advocacia. Ali, conheceu e casou-se com Miriam, com quem teria três filhos.

Aprendeu a medir atos e palavras para não colecionar inimigos. Também foi na terra em que nasceu que conquistou o primeiro mandato político, como vereador, pelo PSD, derrotando um primo e um tio na eleição.

— Aprendi a ser conciliador e não brigar com muita gente — confessou no mesmo programa da TVCOM.

Em 1982, na primeira disputa em eleições diretas para o Piratini após a ditadura militar, Amaral conseguiu fazer o sucessor, Jair Soares, em uma eleição polêmica, com denúncias de fraude eleitoral.

A decisão mais controvertida do mandato de Amaral de Souza foi a extinção do Departamento de Ordem Pública e Social (Dops) no Rio Grande do Sul. Não que o fim do famigerado aparato de espionagem e repressão tenha sido lamentado. As críticas recaíram sobre a queima dos arquivos do Dops, incinerando parte da memória do regime militar ter sido queimada nos fornos de uma olaria.

— Foi um erro — reconheceu 20 anos depois.

Fonte: Zero Hora

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