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Operações da PF têm 416 conversas entre senador e bicheiro

Policial – 15/05/2012 – 14:05

Juntas, as operações Vegas e Monte Carlo da Polícia Federal registraram 416 ligações entre o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. As informações foram passadas nesta terça-feira pelos delegados Matheus Mella e Raul Alexandre Marques, responsáveis pelas duas ações.

O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), que acompanha a sessão secreta de oitiva dos delegados no Conselho de Ética do Senado, disse que eles aprofundaram informações já prestadas em depoimento na semana passada. Os dois delegados falaram à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista, que investiga a rede de influências de Cachoeira.

De acordo com o senador, a Operação Vegas reuniu 63 diálogos entre Demóstenes e Cachoeira em um período de 45 dias. Já a Monte Carlo, em quase um ano de investigações, contabilizou 353 telefonemas entre os dois. Além dos números, os delegados relataram que há conversas de Demóstenes com outros 25 investigados e outros 293 diálogos citam o nome do senador.

“Numa das conversas, o tesoureiro Gleyb (Ferreira) liga para Cachoeira e diz que está na porta da casa de Demóstenes com os R$ 20 mil dele, ao que Cachoeira responde: ‘entrega para ele (Demóstenes)'”, disse o senador Randolfe, que saiu da sessão secreta para falar com jornalistas.

De acordo com senador, o Conselho de Ética pretende investigar se Demóstenes fez lobby a favor da legalização de jogos e máquinas de caça-níqueis, favorecendo assim os negócios do bicheiro. “Num dos diálogos entre Demóstenes e Cachoeira, sobre um projeto de lei que trata da legalização do jogo, Demóstenes termina a ligação dizendo: eu sou contra, mas se você quer, eu vou fazer, dando a entender que trabalharia para que o projeto fosse aprovado.”

O advogado de Demóstenes, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, acompanha a sessão secreta e fez perguntas aos delegados. Segundo Randolfe, a linha seguida pelo advogado é mostrar que a investigação foi ilegal, já que foi feita sobre alguém com foro privilegiado – o senador Demóstenes. “A tentativa dele é anular a investigação e, depois, anular uma possível cassação no Conselho de Ética”, disse.

Kakay disse que não vai se pronunciar sobre o mérito da questão – o nível de envolvimento de Demóstenes com o bicheiro – por considerar que isso afeta sua estratégia de defesa. “Se eu falo sobre ela, estou validando essa prova. Claramente um senador da República foi investigado pela polícia, o que é claramente inconstitucional, ilegal. Se eu comentar, estarei partindo de um processo que é todo nulo. A defesa do mérito será feita pelo Demóstenes, quando vier”, afirmou o advogado. Como o senador tem foro privilegiado, somente o Supremo Tribunal Federal (STF) tem autonomia para investigá-lo.

Sobre a ida de Cachoeira para prestar depoimento na CPI e no Conselho de Ética, Kakay, que arrolou o bicheiro como testemunha de defesa do senador, disse que o que o contraventor tem a dizer é importante para seu caso. “A expectativa é que ele venha, mas é uma decisão do advogado dele”, afirmou.

Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir ouros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

Fonte: G1

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