Ato simbólico com a imunização de 4 integrantes dos grupos prioritários iniciou imunização no Estado, que começa de fato nesta terça-feira
19/01/2021 07h35
Por: Gabrielle Borges
Foi aberta com um ato simbólico na tarde desta segunda-feira (18), no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, o trabalho local da Campanha Nacional de Vacinação contra o Coronavírus. A imunização, que agora continuará com a distribuição de vacinas para os municípios a partir desta terça (19), envolverá 158.760 doses, com foco nos grupos prioritários.
Dos imunizantes, que incluem duas doses por paciente, 97 mil devem beneficiar 48,5 moradores de terras indígenas e 61.760 vão para os 30.880 demais integrantes de grupos prioritários –profissionais de Saúde, sendo a princípio os que atuaram diretamente com pacientes com Covid-19, e idosos e portadores de deficiência em instituições de longa permanência.
As doses foram recepcionadas na Base Aérea de Campo Grande pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, de onde seguiram para a Rede de Frio da SES –onde ficará armazenada a baixas temperaturas enquanto é feito o rateio entre as cidades e a distribuição propriamente dita.
A vacinação simbólica começou com 4 pessoas: a indígena Domingas da Silva, de 91 anos, moradora da aldeia Tereré em Sidrolândia –a 71 km de Campo Grande–, a primeira sul-mato-grossense a ser imunizada; Maria Bezerra de Carvalho, que fará 83 anos na próxima segunda-feira e é moradora do Asilo São João Bosco; o médico Márcio Estevão Midom, 43, que sozinho tratou de mais de 100 pacientes com o novo coronavírus; e da auxiliar de enfermagem Sandra Maria de Lima, 40.
Domingas saiu de casa pela primeira vez hoje, para tomar a vacina contra covid
Na espera de ser imunizada esta tarde em tenda montada no HR, ela veio de Sidrolândia depois de ser escolhida pelas lideranças.
Primeira indígena a ser vacinada contra covid-19 em Mato Grosso do Sul, Domingas da Silva, de 92 anos foi escolhida também para receber primeira dose do imunizante entre todos os moradores do Estado.
Simbólico, para ela é a chance de voltar à vida normal na aldeia Tereré, em Sidrolândia. Desejando saúde a todos, ela disse à reportagem que hoje foi a primeira vez que ela saiu de casa depois do começo da pandemia, em março.
Na espera de ser imunizada esta tarde em tenda montada no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, ela veio para a Capital depois de ser escolhida pelas lideranças da aldeia onde mora para receber a dose. “Graças a Deus estou muito feliz em ter sido escolhida, quero agradecer muito”, se alegra.
Domingas revelou, logo após ser vacinada, que se mostrou ansiosa para receber a CoronaVac. “Quando soube pela minha filha, que disse para virmos para eu ser vacinada, já disse, ‘vamos hoje então’. Se é para a nossa saúde, vamos. E estou aqui sentada, conversando agora”. A idosa deixou claro que, sua intenção é “saber da minha saúde, da minha família e de qualquer conhecido”.
Auxiliar de Enfermagem pede que população atenda chamado para ser vacinada
Sandra, por sua vez, vivenciou toda a pandemia dentro do HR, e se disse emocionada e agradecida por receber o imunizante. Ela ainda aproveitou para fazer um apelo à população.
“Sou imunizadora há muito tempo e falo para toda a população: não tenham medo. Se vacinem. Se chegou na sua hora na fila de prioridade, vá se vacinar. A vacina é nossa única esperança”.
Márcio, ao Jornal Midiamax, relatou a expectativa de que a vacinação ajude a “contornar toda a situação no enfrentamento dessa pandemia”. Ele ainda destacou que, desde o início da pandemia, conviveu com “muito sofrimento e angústia, colocando-me no lugar de pacientes e familiares por empatia para ajudar da melhor forma possível”.
Sandra, por sua vez, vivenciou toda a pandemia dentro do HR, e se disse emocionada e agradecida por receber o imunizante. Ela ainda aproveitou para fazer um apelo à população.
“Sou imunizadora há muito tempo e falo para toda a população: não tenham medo. Se vacinem. Se chegou na sua hora na fila de prioridade, vá se vacinar. A vacina é nossa única esperança”.
Prioridade para vacinação partiu do Ministério da Saúde, afirma secretário
A escolha do grupo dos imunizáveis neste momento, que sofreu alterações por parte do Ministério da Saúde, foi destacada por Geraldo durante discurso no ato. Segundo ele, a ordem foi para que se priorizassem idosos, mais suscetíveis às complicações, e os profissionais de Saúde que atuam em UTIs e prontos-socorros e que são referência no atendimento à Covid.
Ele ainda lembrou que Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do país, sendo prioritária sua imunização por conta de sua vulnerabilidade –com isso, o Estado acabou recebendo um todo de vacinas próximo ao de outras unidades da federação mais populosas.
Emocionado, Geraldo afirmou ser este “um momento muito importante” para a Saúde. “Este ato simboliza claramente a vitória daqueles que acreditam na ciência, que acreditam que vale lutar pela vida, e no Sistema Único de Saúde, a quem peço uma salva de palmas”. “Viva a vida, viva a ciência, viva o SUS”, finalizou ele.
Governador cobra velocidade para liberação de novas vacinas contra a Covid-19
Já o governador Reinaldo Azambuja, em discurso, demonstrou “gratidão enorme” pelo trabalho de todos os envolvidos no enfrentamento à pandemia. Ele ainda defendeu a vacina como um “freio” para conter o número de contaminações, o que poderia levar o sistema a “atolar”, como ocorreu em Manaus (AM), que terá 10 leitos de UTI em Mato Grosso do Sul para enviar pacientes de sua sobrecarregada rede de Saúde.
Ele ainda destacou que a vacina chegou, “mas em número reduzido”, ao passo que o Estado ainda lida com um vírus de alta taxa de letalidade, e fez apelo para que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) libere, logo, as 4,6 milhões de doses de CoronaVac produzidas pelo Butantan –a autorização emergencial envolvendo as 6 milhões de doses agora distribuídas alcançou apenas os imunizantes importados da China.
Depois, em entrevista coletiva, Reinaldo afirmou que seguirá as diretrizes do PNI (Plano Nacional de Imunização), reforçando que o trabalho, agora, deve ser de velocidade para que os laboratórios tenham autorizado o registro de suas vacinas, “para que rapidamente tenhamos mais doses disponíveis”.






