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Calorão causa febre, pode fazer corpo entrar em colapso e levar à morte

Médico explica o que é a hipertemia e o que fazer se aparecerem os sintomas

12/09/2019 08h25
Por: Mirela Coelho

Pressão baixa e tontura, batimentos cardíacos e respiração acelerados, vermelhidão no rosto ou palidez, transpiração excessiva, náuseas e desmaios. Os sintomas são de hipertermia, que alguns conhecem como “ensolação”, o aumento excessivo da temperatura corporal, que pode chegar a 40ºC, fazer o organismo entrar em colapso e em casos extremos levar à morte.

O alerta para situações como esta veio do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) que previu termômetros chegando aos 43ºC em Mato Grosso do Sul na quarta-feira. O meteorologista Natálio Abrahão, da Uniderp, falou em sensação térmica de 45ºC. A onda de calor só deve deixar o Estado no fim de semana e olhe lá.

A umidade relativa do ar também estará abaixo dos 20%. Por isso, em condições climáticas assim, todo cuidado é pouco, segundo o cardiologista Waldir Ferreira.

“A pessoa perde energia e pode sofrer lesões hepáticas e renais também”, explica o médico sobre os sinais de hipertermia. Crianças e idosos estão mais suscetíveis. Por isso, ao aparecer qualquer um dos sintomas, a primeira atitude deve ser medir temperatura corporal. “Como se a pessoa estivesse com febre mesmo”, explica o médico.

Confirmado o “febrão”, é preciso tomar medidas para resfriar o corpo, como um banho, não muito gelado para evitar o choque térmico. “Colocar a pessoa no ar condicionado também não é a melhor opção [o aparelho retira a umidade do ambiente]. O ideal é que a pessoa fique em um ambiente refrigerado, mas com umidificação do ar. Para isso, dá para usar toalhas molhadas, panelas com água ou o próprio umidificador”.

Em casos extremos, claro, a recomendação é procurar um hospital. A hipertermia causa desidratação e só tomar água pode não resolver, explica o cardiologista. “A urina fica mais concentrada, muda de coloração. Algumas vezes a hidratação pela boca não resolve e é preciso hidratar com soro direto na veia”.

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) não tem registros específicos de hipertermia, mas já percebeu aumento de 30% na procura de pacientes com problemas respiratórios causados pelo tempo seco.

Animais – Os animais também sofrem com o tempo. Por isso, alguns cuidados são importantes para evitar a hipertermia. Uma das primeiras recomendações do Conselho Federal de Medicina Veterinária é não passear com os cães em horários de calor mais intenso. Durante as caminhadas, também é importante levar recipiente para o animal se refrescar.

Em casa, a água deles também deve ser trocada durante o dia, para ficar sempre fresca e a preferência em dias muito quentes deve ser por alimentação úmida.

Apesar de importante, focinheiras que fechem a mandíbula não permitem o cão arfar, o que impede a termorregulação do seu corpo. Por isso a indicação é usar as de metal. Tose cães com pelos longos ou escuros e deixe os bichinhos à vontade em frente ao ventilador.

Só nesta semana, dois casos foram noticiados de animais que sentiram o efeito do calor. Na tarde de segunda-feira (9), oito filhotes de cachorro foram encontrados mortos no quintal de residência no Bairro São Conrado, em Campo Grande. Estavam em uma caixa de papelão, expostos ao calor de 37 graus, com sensação térmica de 43 graus e umidade relativa do ar de 17%.

Na manhã de quarta-feira (11), o Corpo de Bombeiros evitou tragédia parecida. Um poodle preso dentro de carro na Rua Dom Aquino, em frente a Praça da Independência, em Corumbá foi salvo pela equipe chamada por pessoas que passavam pelo local. A sensação térmica era de mais de 40ºC.

Da redação com informações do Campo Grande News

Mulher se protege do sol na Afonso Pena, enquanto Corpo de Bombeiros segue para apagar mais uma queimada em Campo Grande. (Foto: Paulo Francis)

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