Levantamento com base em dados da Anatel e nos mapas de cobertura das operadoras Vivo, Claro e TIM aponta que apenas 29 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul contam atualmente com sinal 5G.
A análise indica ainda uma relação direta entre desenvolvimento socioeconômico e acesso à nova tecnologia: quanto menor o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), menor tende a ser a presença do 5G. Esse cenário amplia o risco de surgimento de novos focos de exclusão digital, especialmente em cidades já marcadas por maior vulnerabilidade.
A expansão da cobertura segue, em grande parte, os principais corredores logísticos do Estado, com destaque para as rodovias BR-163 e BR-262, além de regiões impulsionadas pela cadeia agroflorestal e pela indústria de celulose. Municípios como Inocência e Água Clara, que vivem crescimento econômico associado ao setor do eucalipto, já figuram no mapa da nova geração de internet móvel. O mesmo ocorre em centros estratégicos como Campo Grande, Corumbá, Três Lagoas, Ponta Porã e Dourados, onde boa parte da área urbana já dispõe da tecnologia.
Em contrapartida, cidades fora desses eixos de desenvolvimento ou afastadas das principais rodovias tendem a ficar à margem da inovação. A implantação do 5G exige maior densidade de antenas e investimentos mais elevados em infraestrutura em comparação ao 4G, o que reduz o interesse das operadoras em áreas rurais e municípios de menor porte. Em Mato Grosso do Sul, onde ainda há regiões com limitações no próprio 4G, a expansão do 5G segue como um desafio.
O levantamento também revela disparidades entre cidades vizinhas. Enquanto Aquidauana já possui cobertura, Anastácio, localizada ao lado, ainda não aparece nos mapas das operadoras. Há casos de cobertura limitada a uma única empresa, como em Inocência, atendida apenas pela TIM, e Ladário, com sinal restrito à Claro.
Atualmente, a cobertura simultânea das três principais operadoras está concentrada em apenas cinco municípios do Estado: Campo Grande, Corumbá, Paranaíba, Dourados e Três Lagoas.


