JULGAMENTO
14/05/2018 15h47

Filho do PM assassinado desabafa: "Sentença não trará meu pai de volta, mas eles vão pagar o que fizeram"

Júri decidirá se os três réus julgados hoje são autores do crime de homicídio qualificado e formação de milícia

 
Por: Dayane Milani
 
 

Desde as 9 horas desta segunda-feira (14) no Tribunal do Júri de Três Lagoas (MS) realiza o julgamento de mais três acusados de participar do assassinato do Policial Militar Otacílio Pereira de Oliveira, em março de 2013.

Estão sendo julgados nesta segunda fase Jair Costa da Silva, vulgo Perturbado, Jorge Aparecido dos Santos e João Carlos Olegário da Silva, vulgo AK, este foi preso na cidade de Presidente Prudente, ele confirmou sua participação na execução do policial, apontando mais três comparsas que estiveram com ele na casa da vítima. O júri decidirá se os réus são autores do crime de homicídio qualificado e formação de milícia.

Em entrevista exclusiva à Caçula FM nesta tarde, Clério Félix de Oliveira, filho do PM assassinado disse que na primeira etapa do julgamento ficou o sentimento de impunidade, já que um dos acusados não foi condenado pelo assassinato do PM. "Foi injusta a sentença do que pegou 7 anos, para os outros dois foi uma sentença justa. Esta sentença não trará meu pai de volta, mas eles vão pagar o que fizeram com o meu pai", desabafa.

Clério continua. "No primeiro julgamento nós vimos todos os envolvidos, hoje de novo. Ouvir sobre o armamento que eles usaram, é uma coisa muito ruim". "Só quem passa pode dizer. Minha mãe e meus irmãos estão chocados. Nossa família aguarda justiça", conclui.

O filho do PM disse que irá acompanhar todas as etapas do julgamento.

Primeira fase

Na primeira fase do julgamento, na última quarta-feira (9) o júri composto por 7 pessoas, sendo dois homens e 5 mulheres, decidiu que se Cleverson Messias Pereira dos Santos, conhecido como "Cabelo" foi condenado a 39 anos e 5 meses e 10 dias de prisão e Maicon Gomes de Souza, o vulgo "Grego" foi condenado a 26 anos e 4 meses de prisão, os dois foram acusados pelo crime de homicídio qualificado com agravante de o crime ter sido cometido contra policial militar e formação de milícia, eles cumprem pena em regime fechado.

Marcos Barbosa, com um voto de diferença, foi inocentado do homicídio qualificado e condenado 7 anos 3 meses e 3 dias de reclusão em regime semiaberto pelo crime de formação de milícia.

Crime

O assassinato aconteceu no dia 6 de março de 2013, quando Otacílio voltava para sua casa, localizada no bairro Osmar Ferreira Dutra. O policial militar da reserva trabalhava como mototaxista e já não andava armado, ele foi surpreendido e alvejado.

A esposa de Otacílio ouviu os disparos e quando saiu de casa encontrou o marido ferido. Antes de morrer a vítima contou para a companheira que foi atacado por quatro pessoas que efetuaram os disparos e fugiram.

Morte

A ordem de execução de Otacílio partiu do PCC (Primeiro Comando da Capital) como forma de mostrar a força da facção na cidade e no estado. Os integrantes da organização criminosa de Três Lagoas receberam a ordem de executar um policial militar e Otacílio foi apontado por seu próprio sobrinho, Cleverson Messias Pereira dos Santos, ele tinha uma divida de R$ 500 com os criminosos e entregou a rotina de seu tio como forma de pagamento de seu debito.

As investigações ficaram sob a responsabilidade da Delegacia Especializada em Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (GARRA) e após a conclusão do inquérito, 21 pessoas foram indiciadas, 19 foram denunciadas e 17 integrantes da facção criminosa foram enviados para júri popular.

A reportagem da Caçula FM acompanha o julgamento que poderá se estender até as 21 horas.

*Colaborou Ana Carolina Kozara

 

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