10/12/2014 – Atualizado em 10/12/2014
Por: Campo Grande Jonalismo
Deputado federal mais votado na história de Mato Grosso do Sul nas eleições deste ano, o ex-governador e vereador Zeca do PT ampliou a crise que está instalada dentro do Partido dos Trabalhadores, ao tecer duras críticas ao senador Delcídio do Amaral e acusá-lo de, como candidato ao Governo do Estado, ter protagonizado uma campanha de cordeirinho.
“Não fizemos debate na tevê com confronto sobre os desmandos do PMDB, fizemos uma campanha de cordeirinho. O PT não respondeu aos ataques feitos pelo PMDB, parecia que não podia falar nada do PMDB”, disse o líder petista, durante sessão desta quarta-feira (10) na Câmara Municipal de Campo Grande.
Zeca do PT ressaltou que, até junho, o candidato petista, senador Delcídio do Amaral, tinha 60% de aprovação em pesquisas, maiores alianças, mais tempo de horário eleitoral gratuito e, inclusive, o vitorioso nas eleições, Reinaldo Azambuja (PSDB), inicialmente havia lançado-se na disputa ao Senado compondo a chapa petista.
Também fez menção indireta aos rumores de suposto ‘acordo velado’ entre lideranças petistas e peemedebistas em Mato Grosso do Sul. Segundo Zeca do PT, uma sucessão de erros, partindo da falta de combatividade política com o arquirrival peemedebista, André Puccinelli, degringolou o sonho petista de retomar a Governadoria oito anos após a sua saída.
“Erramos na escolha do vice, na comunicação, por não termos um projeto estratégico de campanha que priorizasse a base social do PT”, enumerou.
Zeca vai além: diz que desde 2010 o partido vem vacilando na composição de alianças, entregando importantes cargos e colégios eleitorais de bandeja a adversários. Foi assim que “tudo ficou contra o PT” em 2012 em Três Lagoas, com a eleição de Márcia Moura (PMDB) “a mando de Simone (Tebet, vice-governadora peemedebista, eleita senadora)” e com Murilo Zauith (PSB), em Dourados, por exemplo.
“Erramos quando não resgatamos no imaginário da população os oito anos de governo do PT (exercidos por Zeca, de 1999 a 2006), com programas sociais, valorização do servidor público, fim do terror fiscal”, amplia o petista. Pelas palavras do vereador, é nítida a divisão dentro do partido.
Na visão de Zeca, “agora o PT tem que resgatar, ele mesmo, a responsabilidade de se organizar” e “ter um projeto que funcione, com formação política e setorial, voltada para a educação, a juventude”.
Essa reconstrução, no entanto, não será liderada por Zeca – ele lembra que, a partir de 2015, passará ao menos três dias da semana em Brasília (DF), além de não ser um nome unificador para o PT.
“O partido vai ter que chegar a um consenso. Tem um enorme desafio que é unificar”, conclui, ao citar Antonio Carlos Biffi (que não se reelegeu deputado federal) e o deputado estadual reeleito Amarildo Cruz como “lideranças importantes” neste processo.



