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‘Violência no Trânsito’: Motoristas precisam pensar menos em si e mais no coletivo, diz psicólogo

18/09/2013 – Atualizado em 18/09/2013

Por: Dourados News

Na sequência do especial ‘Violência no Trânsito’, que traz durante toda esta semana reportagens especiais em alusão à Semana Nacional do Trânsito, o Dourados News quis saber o porquê dos números do Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito), referentes a Dourados, apontarem grande número de acidentes e vítimas apesar das campanhas de conscientização desenvolvidas constantemente. Qual o comportamento do motorista de hoje?

Para o mestre em psicologia do trânsito, Renan da Cunha Soares, um fator determinante para explicar a falta de conscientização que ainda persiste, é a ausência de um pensamento coletivo, como o trânsito exige para ser mais seguro.

“O motorista de hoje vê o carro, a moto, como um objeto de poder e status social, algo que lhe coloca em uma posição diferente. Isso o deixa com um ego alimentado além da conta, uma confiança que o faz pensar só em si, sem considerar que suas atitudes no trânsito interferem no todo, em outras pessoas, e não só nele. Cativar o pensamento de coletividade, que é enfraquecido hoje, é um desafio”.

O psicólogo destaca que as ações imprudentes estão muito ligadas aos valores e postura íntima das pessoas no trânsito, presentes na formação educativa desde o início. “Envolve a conscientização que é feita nas escolas, que é muito importante, e a formação de valores no lar também. São um conjunto de fatores que agregam para uma formação mais prudente do condutor”. Este também é o ponto de vista da psicóloga Elizete Comerlato, de Dourados, para o comportamento atual dos motoristas.

“É uma questão de educação e valores realmente, e que não envolve apenas o trânsito, este é um dos aspectos do cotidiano que acabam afetados por atitudes intempestivas e pensamentos e ações individuais. As pessoas andam muito estressadas, e acabam descontando em alguma área da vida, e também ignorando os alertas e orientações, como acontece com o que é passado nas campanhas de conscientização, que acaba não absorvido”, disse Elizete.

É possível mudar?

Soares aponta que acidentes de trânsito sempre vão acontecer, mas que é possível chegar a um estágio onde os índices fiquem dentro do tolerável, já que a maioria deles poderiam ser evitados com atitudes simples e pensamentos mais coletivos.

“A educação para o trânsito é tão fundamental quanto as fiscalizações, e essas são medidas que devem caminhar juntas. Isso tem dado resultado em várias cidades. É preciso sensibilizar as pessoas para que pensem menos nelas, e mais no todo, sempre que pegarem em um carro, moto, e outros. Isso já mudaria muita coisa, caso fosse adotado pela maioria”.

Com relação à leis que obrigam os motoristas, não apenas por boa vontade, mas por penalidades jurídicas, a medirem seus atos, o especialista em psicologia do trânsito ressalta que isso tem caminhado.

“Aqui em Mato Grosso do Sul a velocidade e o uso de álcool potencializam a ocorrência de acidentes, principalmente entre a população de 18 a 30 anos. É uma escolha do motorista, que coloca ele e os demais a sua volta sob risco. No entanto, hoje temos maior agilidade da Justiça com relação a isso, e um consequente combate a impunidade, ao meu ver. O fato é que por livre vontade e conscientização de ser prudente, ou por imposição legal, o motorista não está isento de suas responsabilidades”.

Mais uma vítima de trânsito no MSFoto: Dourados News

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