01/06/2016 – Atualizado em 01/06/2016
Tiago Henrique pegou 25 anos pela morte do açougueiro Adailton Farias, 23. Preso, réu responde a mais de 30 assassinatos ocorridos em Goiânia.
Por:G1
O vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 28 anos, foi condenado, nesta quarta-feira (1º), a 25 anos de prisão por matar o açougueiro Adailton dos Santos Farias, de 23 anos, executado em julho de 2014. Para o júri popular, o réu cometeu homicídio qualificado, por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A defesa recorreu da sentença.
Essa foi a 10º condenação por homicídio contra Tiago Henrique, que responde por mais de 30 assassinatos. Preso desde outubro de 2014, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, ele também já cumpre pena por roubo e porte ilegal de arma.
O julgamento ocorreu no 1º Tribunal do Júri. Presidido pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas, o júri foi composto por quatro homens e três mulheres e durou cerca de 6h.
Farias foi morto em 31 de julho de 2014, no Setor Rodoviário. Segundo a denúncia do Ministério Público, o açougueiro saiu de casa e se encontrou com uma amiga, com quem teve uma breve conversa.
Em seguida, ele voltou a caminhar e foi abordado por um homem em uma motocicleta, que anunciou o assalto e mandou que Adailton colocasse as mãos no chão. O criminoso, então, atirou duas vezes contra o rapaz e fugiu.
O promotor de Justiça Maurício de Camargos, responsável pela acusação, não recorreu da sentença.
O advogado que defende o réu, Hérick Pereira de Sousa,discordou da decisão do júri.
Julgamento
O julgamento começou às 9h. Mais uma vez, Tiago Henrique não compareceu por um pedido da defesa. Segundo o advogado, a ausência se deve a “questões de segurança”, já que ele “sofreu agressão no penúltimo julgamento”.
Inicialmente, foram escolhidos os sete jurados. Em seguida, o promotor Maurício de Camargos começou a expor as teses da acusação, já que nenhuma das três testemunhas arroladas compareceu.
O promotor distribuiu aos jurados cópias de uma das oito páginas do interrogatório do vigilante sobre a morte do açougueiro. No documento, está registrada a confissão do réu, pois Tiago Henrique afirmou que Adailton foi a 32ª vítima dele.
Maurício de Camargos também leu parte de uma carta anônima enviada à Polícia Civil de Goiás em 2013. Após a prisão de Tiago Henrique, a corporação concluiu que ele havia escrito a mensagem, que diz: “Quem vos fala é um cidadão cujo único objetivo é matar”.
O promotor ainda exibiu o vídeo do interrogatório do jovem que morava com a vítima, Wanderley Andrade, gravado durante a audiência de instrução do processo. Na ocasião, a testemunha disse: “Adailton era um rapaz religioso, não gostava de farra, não tinha problema nenhum”.
Após exibir a gravação, o promotor declarou que a “infelicidade de Adailton foi a mesma da outras vítimas: cruzar com o caminho do Tiago”. “É de doer o estômago quando a gente lê os interrogatórios do vigilante e vê como ele escolhia as vítimas dele. O Adailton estava caminhando na rua, cruzou com o Tiago e foi morto, morto nutrido por essa ‘raiva’ ou ‘química’ que o Tiago fala que tinha pelas vítimas”, afirmou.
O promotor defende que a vítima foi morta por motivo torpe e não teve chance de se defender. Ele destaca que o réu precisa ser condenado para continuar preso. “O único recurso para o Tiago é o isolamento social. É por isso que temos que mantê-lo preso, porque ele nas ruas é uma ameaça em potencial para todos nós. O lugar dele é na cadeia”, concluiu.




