Matheus Moreira Pirollo alertou sobre os riscos da automedicação, além das mortes em investigação e o combate ao comércio clandestino
O fiscal estadual e gerente da Vigilância Sanitária Estadual da SES/MS, Matheus Moreira Pirollo, participou nesta quinta-feira, 12, do Café da Manhã, da 96 Caçula, para detalhar a operação “Visa Protege”, força-tarefa criada para combater a circulação de canetas emagrecedoras irregulares nos Correios e em outros pontos de trânsito de mercadorias em Mato Grosso do Sul.
Segundo Matheus, a ação foi intensificada após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliar a lista de proibições relacionadas a essas canetas, muitas delas vendidas de forma clandestina, sem registro e sem controle sanitário.
Logo nos primeiros dias da operação, os números chamaram atenção. “Em apenas três dias de fiscalização nos Correios, apreendemos mais de R$ 1 milhão em canetas emagrecedoras irregulares. Em uma semana, aprendemos o equivalente ao que a Receita Federal apreendeu em 30 dias na Ponte da Amizade”, destacou.
O gerente da Vigilância Sanitária alertou para os perigos da automedicação e do uso de medicamentos clandestinos. Entre os casos que motivaram a intensificação da fiscalização estão mortes confirmadas no Reino Unido e óbitos em investigação no Brasil, além de relatos de pancreatite aguda, necrosante e alterações neurológicas associadas ao uso desses produtos.
Matheus explicou que algumas dessas canetas contêm substâncias como a retatrutida, princípio ativo que não possui aprovação para uso humano em nenhum país do mundo. “Estamos falando de medicamentos fortíssimos, que não podem ser utilizados sem acompanhamento médico especializado. Muitos desses produtos são falsificados ou adulterados. Estimativas apontam que 50% dos medicamentos vendidos online podem ser falsificados”, alertou.
Ele reforçou que, mesmo as canetas regularizadas, como as que contêm tirzepatida, só devem ser adquiridas com retenção de receita médica e acompanhamento de profissionais como endocrinologistas e nutrólogos, além de mudança de hábitos alimentares e prática orientada de atividades físicas.
A operação identificou que Mato Grosso do Sul tem sido utilizado como rota para envio desses produtos ilegais ao restante do país. Canetas compradas por cerca de R$ 700 na região de fronteira chegam a ser revendidas por até R$ 3 mil em outras regiões do Brasil.
Além dos Correios, a força-tarefa também atua em transportadoras, aeroportos e na fiscalização de estabelecimentos comerciais. “O barato pode sair caro. A pessoa pode colocar a própria vida em risco e ainda financiar o crime organizado. O contrabando alimenta outras cadeias criminosas, como tráfico de drogas e roubo de cargas”, enfatizou.
Matheus destacou que a Vigilância Sanitária atua na prevenção de doenças e na proteção da saúde coletiva, evitando que produtos irregulares causem danos individuais e sobrecarreguem o sistema de saúde. “Nosso papel é prevenir agravos, proteger a população e garantir que apenas produtos seguros e registrados circulem no mercado”, afirmou.
Ele também alertou que médicos que prescrevem medicamentos proibidos ou clandestinos podem responder por infração ética grave. Pirollo reforçou o apelo para que a população evite soluções rápidas e procure orientação médica adequada antes de iniciar qualquer tratamento para emagrecimento. “A saúde não pode ser colocada em risco por promessas milagrosas. Procurem acompanhamento profissional e produtos registrados. Isso salva vidas”, concluiu.


