15/01/2018 10h06
Por: Da Redação
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MP-MS) denunciou a vereadora de Água Clara, Marcia Queiroz Vida (PT do B), e uma funcionária dela pelos crimes de corrupção passiva e tráfico de influência. Marcia foi presa durante a Operação Voto de Minerva deflagrada em dezembro de 2017.
Segundo a investigação da Promotoria de Justiça de Água Clara, Marcia e a funcionária cobraram R$ 80 mil da vereadora Gerolina da Silva Alves (PSDB) para evitar o processo de cassação. O valor cobrado seria para influenciar o voto de outros dois vereadores.
O Procedimento Investigatório Criminal de 11 de dezembro de 2017 aponta que após o fim da última sessão da Câmara de Água Clara, a vereadora Márcia Vida se aproximou da colega Gerolina e disse que uma pessoa iria procurá-la na escola onde trabalha para falar com ela.
No dia seguinte, por volta das 11h, a funcionária foi até a residência de Gerolina, dizendo que estava ali a pedido de Marcia. Ela apresentou à vereadora um bilhete escrito por Marcia Vida. A mensagem dizia: “Você quer meu voto a favor a respeito do processo de cassação? ( ) sim ( ) não”.
A funcionária então disse: “se você respondesse sim, a Márcia me pediu para lhe mostrar o outro recado”, que estava em outro papel, com os dizeres: “Me arruma R$ 80.000,00 que eu voto a favor ou faria com que o processo fosse cancelado!”
Gerolina negou a oferta e, em seguida, a funcionária foi embora pedindo desculpas e justificando que teria vindo só porque Márcia Vida havia lhe pedido para levar a proposta. No dia 14 de dezembro, por volta das 18h, Gerolina e a funcionária se encontraram novamente e a vereadora gravou a conversa para denunciar a exigência feita por Marcia Vida.
Em seguida, Gerolina procurou a Promotoria de Justiça de Água Clara. No momento em que estava depondo, a funcionária telefonou para o celular da vereadora e a ligação foi presenciada e escutada pelo promotor de Justiça “no viva voz” do aparelho.
Na ligação, a funcionária perguntou onde ela estava, porque a vereadora Márcia Vida estava naquele momento na frente da residência da Gerolina para conversar. Ela então pediu à Gerolina que voltasse para casa para conversar sobre o assunto e Gerolina respondeu que estava indo.
Diante do flagrante, foi requisitada diligência policial para acompanhar a situação e registrar o encontro por vídeo e/ou fotografia para materializar e comprovar os fatos denunciados. O encontro de Gerolina com a funcionária aconteceu horas depois e foi novamente gravado pela vereadora.
Nesse segundo encontro, a funcionária deu mais detalhes do crime de corrupção passiva e de tráfico de influência praticado por Márcia Vida, o que contribuiu para a consumação do delito.
Durante o diálogo, a funcionária novamente apresentou um bilhete escrito por Márcia Vida com a mensagem: “O mínimo é R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). Faço para o processo! Como? Não vai nem ter votação! Você tem que confiar e sabe que pode nem ter votação! O relator vai encaminhar para mim, aí já paro! Entendeu? Só posso dizer: confie em mim! Derrubo mais dois votos comigo! [tráfico de influência] E que fique entre nós sempre!”.
A funcionária ainda explicou os detalhes de como Márcia Vida faria para “barrar” o processo de cassação de Gerolina, sobre o valor da propina e sobre como seria feito o pagamento da propina à vereadora. Depois disso, o Ministério Público deflagrou a Operação Voto de Minerva com mandado de prisão preventiva das duas denunciadas e mandado busca e apreensão de documentos na residência das investigadas e no gabinete de Márcia.
O MP pediu a condenação das investigadas ao pagamento de indenização por danos morais à vereadora Gerolina da Silva Alves e danos morais coletivos em favor do bem coletivo difuso imaterial, pela moralidade administrativa abalada por atos de corrupção.
O G1 tentou entrar em contato com a vereadora Marcia Queiroz Vida (PT do B), mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.



