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quinta-feira, 8 de janeiro, 2026

Vacina da dengue do Butantan começa a ser aplicada pelo SUS a partir do dia 17

Imunização em dose única será destinada à população de 15 a 59 anos em cidades-piloto de três estados

O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciará, a partir do dia 17 de janeiro, a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, a primeira do mundo em dose única. A estratégia inicial contemplará os municípios de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) a partir do dia 17, e Botucatu (SP) no dia 18.

De acordo com o Ministério da Saúde, a ação tem como objetivo avaliar os resultados da imunização em pelo menos 50% da população dessas cidades. O público-alvo definido para esta etapa é composto por pessoas com idade entre 15 e 59 anos.

Para a fase inicial, será utilizada parte das 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan. Além da população em geral, o primeiro lote também será destinado aos profissionais da atenção primária, que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Ampliação gradual

Segundo o ministério, com o aumento da capacidade de produção da vacina — resultado da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines — a estratégia de vacinação será ampliada gradualmente para todo o país.

A ampliação deverá seguir uma lógica progressiva, começando pela população de 59 anos e avançando até os 15 anos, conforme a disponibilidade de doses. Atualmente, o SUS já oferece outra vacina contra a dengue, produzida no Japão, aplicada em duas doses e destinada a adolescentes de 10 a 14 anos.

Eficácia comprovada

Estudos recentes divulgados pelo Instituto Butantan indicam que a vacina é eficaz na redução da carga viral em pessoas infectadas pelo vírus da dengue, o que contribui para quadros menos graves da doença. A pesquisa, publicada na revista The Lancet Regional Health – Americas, analisou amostras de 365 voluntários que tiveram dengue sintomática entre 2016 e 2021, em 14 estados brasileiros.

Os dados mostraram que, embora alguns vacinados tenham sido infectados após a imunização, a carga viral nesses casos foi significativamente menor em comparação aos participantes não vacinados, demonstrando a capacidade do imunizante de induzir resposta imune e reduzir a replicação do vírus.

A vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a análise de cinco anos de acompanhamento de 16 mil voluntários participantes dos ensaios clínicos. No público de 12 a 59 anos, faixa etária indicada pela agência reguladora, o imunizante apresentou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra casos graves e com sinais de alarme.

Com informações Agência Brasil

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