Os trabalhadores dos Correios iniciaram nesta sexta-feira, 11 de setembro, uma greve nacional por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10), após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela empresa durante as negociações da campanha salarial.
Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), o movimento conta com a adesão de sindicatos de diversas regiões do país. Entre as bases que aprovaram a paralisação estão São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Santos, Maranhão e Mato Grosso do Sul.
Um dos principais pontos de divergência entre os trabalhadores e a direção dos Correios envolve o plano de saúde. A categoria é contrária às mudanças propostas pela empresa e afirma que elas podem afetar as condições de custeio e a assistência médica oferecida aos empregados, aposentados e dependentes. As negociações também passaram por tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas não houve acordo.
Os Correios afirmam que apresentaram uma proposta que contempla 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Segundo a empresa, entre os pontos previstos estão o reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde.
A paralisação acontece em um momento de dificuldades financeiras para a estatal. Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado 30,36% superior ao prejuízo registrado no mesmo período do ano passado. A empresa também busca alternativas para reforçar seu caixa e avançar no processo de reestruturação.
Para reduzir os possíveis impactos da greve sobre as entregas e o atendimento ao público, os Correios informaram que ativaram um Plano de Continuidade de Negócios, com medidas como remanejamento de funcionários e reforço das atividades operacionais. A categoria, por sua vez, mantém a mobilização e afirma estar aberta à retomada das negociações para buscar um acordo.


