A equipe de infectologia do Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP) divulgou os resultados positivos de uma adaptação de protocolos para o tratamento de febre amarela, com base em um método originalmente desenvolvido para hepatites fulminantes. A nova abordagem, que utiliza transfusões de plasma sanguíneo, demonstrou um aumento significativo nas taxas de sobrevivência, chegando a 84% entre os pacientes tratados.
A terapia foi desenvolvida por uma equipe dinamarquesa e visa dar mais tempo ao fígado para se recuperar, reduzindo a toxidade no sangue. Ao contrário dos tratamentos anteriores, que requeriam transplantes de fígado com altas taxas de mortalidade, essa técnica tem se mostrado mais acessível e eficaz, principalmente quando administrada por um período mais prolongado.
A médica Ho Yeh-Li, coordenadora da UTI de Infectologia do HCFMUSP, destacou que a transfusão de plasma é simples, barata e facilmente acessível em hospitais de alta complexidade. Em comparação com o transplante de fígado, essa terapia é mais rápida e de menor custo, podendo ser aplicada até a remissão da infecção. A técnica também foi aplicada em outros hospitais brasileiros com resultados semelhantes.
No entanto, Yeh-Li apontou que a baixa eficiência do tratamento nos casos atuais se deve à falta de diagnóstico precoce nas unidades de saúde de menor complexidade, o que contribui para a alta taxa de letalidade em São Paulo, onde a mortalidade foi de 60% em 2025.
De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, 13 dos 18 casos registrados este ano ocorreram na região de Campinas, e a maioria das vítimas não havia sido vacinada. Em 2024, dois casos de febre amarela foram registrados no estado, com um óbito.
A situação levou a OMS a emitir um alerta para viajantes, enquanto autoridades locais reforçam a vacinação e monitoramento de primatas não humanos, onde também foram confirmados 36 casos da doença este ano.
Com informações Agência Brasil


