Rede de saúde bucal começa nas unidades básicas, avança para serviços especializados e conta com apoio técnico e financeiro do Estado para ampliar o acesso e qualificar o cuidado à população.
Dor de dente não pode esperar. Uma gengiva que sangra, uma lesão que não cicatriza ou a falta de uma prótese dentária afetam diretamente a alimentação, a fala, a autoestima e até as oportunidades de trabalho. O que muita gente ainda desconhece é que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma rede estruturada de atendimento odontológico, capaz de atender desde casos simples até procedimentos especializados e hospitalares.
Em Mato Grosso do Sul, essa rede é organizada e fortalecida com apoio direto da Coordenadoria de Saúde Bucal da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que atua de forma contínua junto aos municípios para ampliar o acesso e qualificar os serviços oferecidos à população.
A porta de entrada para o atendimento odontológico é a Atenção Primária à Saúde (APS), por meio das Equipes de Saúde Bucal que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas Unidades Odontológicas Móveis (UOMs). Nesses locais, o cidadão pode agendar consultas, realizar procedimentos como restaurações, extrações, limpeza, receber orientações preventivas e acompanhamento regular.
Quando há necessidade de tratamentos mais complexos — como canal, cirurgias orais, atendimento a pacientes com necessidades especiais ou confecção de próteses dentárias — o usuário é encaminhado para os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) ou para os Serviços de Especialidades em Saúde Bucal. Em situações específicas, o cuidado pode envolver a rede hospitalar.
Por trás dessa estrutura está um trabalho técnico permanente. A Coordenadoria de Saúde Bucal da SES apoia os municípios desde a adesão e implantação das estratégias da rede, orientando sobre fluxos de atendimento, organização dos serviços e integração com os demais pontos da rede de atenção à saúde. O Estado também realiza o cofinanciamento de equipes de saúde bucal e dos CEOs, com repasses fundo a fundo para fortalecer a estrutura e o funcionamento dos serviços.
“O nosso papel, enquanto Estado, é garantir que os municípios tenham suporte técnico e financeiro para ofertar um atendimento cada vez mais resolutivo. Trabalhamos para organizar a rede, qualificar os profissionais e assegurar que o cidadão encontre no SUS um cuidado integral, que vai da prevenção ao tratamento especializado”, destaca o coordenador de Saúde Bucal da SES, Lucas Moura de Oliveira.
O acompanhamento dos serviços é contínuo, com monitoramento de indicadores de produção, qualidade dos registros nos sistemas oficiais e desempenho das equipes. A SES também elabora notas técnicas, manuais e diretrizes assistenciais, orientando desde a carga horária dos profissionais até o correto cadastramento das unidades no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).
Além da atenção básica e especializada, Mato Grosso do Sul investe em estratégias inovadoras, como a organização da odontologia hospitalar e o apoio técnico para municípios que ofertam ou pretendem implantar atendimento odontológico com sedação. Outro destaque é o serviço de Tele-Estomatologia, que auxilia no diagnóstico precoce de lesões suspeitas de câncer bucal, ampliando o acesso ao especialista e reduzindo o tempo de espera.
“A Tele-Estomatologia é uma ferramenta estratégica, porque encurta distâncias e contribui para o diagnóstico precoce do câncer bucal, que faz toda a diferença no prognóstico do paciente. Nosso objetivo é que nenhum caso suspeito deixe de ser avaliado por falta de acesso ao especialista”, reforça o coordenador.
A atuação estadual inclui ainda o apoio às ações de saúde bucal no sistema prisional, com orientações técnicas, fornecimento de insumos e organização do cuidado. Anualmente, é realizado o levantamento epidemiológico conhecido como CPOD (Cariado, Perdido e Obturado em Dentes Permanentes), que subsidia o planejamento das ações e a distribuição de kits de higiene bucal utilizados em estratégias de promoção e prevenção nos municípios.
Viagens técnicas e reuniões periódicas com prefeitos, secretários municipais de saúde e coordenadores de saúde bucal também fazem parte da rotina, fortalecendo o diálogo e ajustando estratégias conforme a realidade local.
Para acessar os serviços, o caminho é simples: o cidadão deve procurar a UBS mais próxima, levando documento de identificação, Cartão do SUS e comprovante de residência. O atendimento começa na atenção primária e, se necessário, o paciente é encaminhado para serviços especializados. Em caso de dúvidas, a orientação é buscar informações junto à Secretaria de Saúde do município.
A política que organiza a saúde bucal no SUS em todo o país é o Brasil Sorridente, criado em 2004 e integrante da Política Nacional de Saúde Bucal. O programa estabelece diretrizes para ampliar o acesso, reduzir desigualdades e garantir atendimento desde ações preventivas até tratamentos especializados, como canais e próteses dentárias.
Mais do que estética, a saúde bucal está diretamente ligada à qualidade de vida, à prevenção de infecções e ao diagnóstico precoce de doenças graves, como o câncer de boca. Entender como funciona a rede e saber por onde começar é o primeiro passo e, no SUS, esse caminho começa na unidade básica, podendo transformar não apenas um sorriso, mas a saúde como um todo.
com informações agência Gov.MS


