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Síndrome de down existe há mais de 1.500 anos

13/07/2014 – Atualizado em 13/07/2014

Por: Jornal da Ciência

Apesar da condição não ser reconhecida oficialmente até o século XIX, os casos de síndrome de Down têm existido ao longo da história humana.

Referências a essa doença nos registros arqueológicos são extremamente raras, mas pesquisadores da França acreditam ter encontrado o crânio de uma criança, mostrando os primeiros sinais da condição e que remonta ao século V.

O corpo da criança, que deveria ter entre 5 e 7 anos, também foi encontrado enterrado na mesma posição e localização de outras pessoas na necrópole, localizada em Saint Jean des Vignes. Arqueólogos acreditam que isso significa que ela não teria sido estigmatizada ou tratada de forma diferente quando estava viva.

Os pesquisadores usaram a tomografia computadorizada para examinar o crânio e este revelou certas características, incluindo o osso occipital achatado na parte de trás e uma inflamação nos dentes, o que é extremamente comum em pessoas com síndrome de Down.

Ela é uma doença genética que atrasa o crescimento de uma pessoa e causa deficiência intelectual. Pessoas com síndrome de Down possuem três cópias do cromossomo 21, em vez de duas, que seria o normal.

A condição foi detalhado pela primeira vez pelo médico inglês John Langdon Down, em 1862. Mais tarde, ele a caracterizou como uma deficiência mental em um relatório amplamente divulgado em 1866.

Apesar da falta de provas nos registros arqueológicos, acredita-se que uma série de obras de arte históricas retratam a síndrome de Down, incluindo uma pintura do século XVI que mostra a adoração ao Menino Jesus. Estudiosos afirmam que há uma criança com sinais faciais dessa condição pintada ao fundo.

Este último caso encontrado representa o exemplo mais antigo e mais jovem da síndrome no registro arqueológico. Antes disso, um possível caso de uma criança de 9 anos de idade, da Inglaterra, que remonta ao período entre 700 e 900, foi encontrado com uma seleção de características consistentes.

Usando uma combinação de técnicas morfológicas e radiográficas, dados métricos e varreduras, o crânio da criança foi comparado com aqueles que pertencem a pessoas com a mesma idade e localização similar. Eles encontraram que o crânio apresentava sinais de braquicrânio e metopismo, em que o crânio é curto e largo com uma desfiguração da testa. Esta combinação de características é consistente com diagnósticos modernos da síndrome de Down.

Embora não seja importante para o diagnóstico, mas relevante ao se associar com outras características, os pesquisadores também observaram uma ausência dos seios frontais, um rosto pequeno, uma mandíbula rebaixada e magra, e defeitos dentários.

De acordo com os arqueólogos, os casos de síndrome de Down em populações antigas são raros, frequentemente mal descritos ou descobertos fora de contexto.

Em outros lugares, o professor Maïté Rivollat e seus colegas também observaram que o contexto e o tratamento funerário da criança sugere que, mesmo com a doença, não havia estigmas por outros membros da comunidade. A causa da morte, no entanto, é desconhecida.

“Os resultados do nosso [estudo] nos levam a concluir que o esqueleto craniano encontrado em Saint Jean des Vignes reflete um indivíduo que sofria de síndrome de Down. Para o nosso conhecimento, esta criança representa o caso mais antigo e mais jovem desta patologia. Deve-se ressaltar que, ao contrário de casos publicados anteriormente, o contexto arqueológico é bem conhecido aqui, e fornece evidências de que essa criança era tratada como os membros saudáveis da comunidade.”, afirma Rivollat.

Reprodução

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