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quarta-feira, 2 de setembro, 2026

Setembro Amarelo: Psicóloga orienta sobre sinais de sofrimento emocional e importância do acolhimento

Durante entrevista ao Jornal da Caçula, Bruna Aquino destacou que mudanças de comportamento devem ser observadas com atenção e reforçou que pedir ajuda é um passo importante para cuidar da saúde mental

 

O Setembro Amarelo é um período de conscientização sobre saúde mental, prevenção ao suicídio e valorização da vida. Mas, segundo a psicóloga Bruna Aquino, o cuidado não deve se limitar ao mês de setembro.

Durante entrevista ao Jornal da Caçula, da Caçula FM 96,9, na manhã desta quarta-feira (2), a profissional falou sobre os desafios para identificar quando uma pessoa está enfrentando sofrimento emocional e destacou a importância de informação, diálogo e acolhimento.

Bruna explicou que uma pessoa pode continuar trabalhando, estudando, cuidando da família e mantendo uma rotina aparentemente normal mesmo enfrentando um sofrimento intenso internamente.

SINAIS

Entre os sinais que podem indicar que alguém não está bem estão mudanças de humor e de comportamento, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, sentimento de desesperança, alterações no sono e na alimentação e isolamento.

A psicóloga ressaltou que não existe uma reação única ao sofrimento emocional. Cada pessoa lida com suas emoções de uma maneira diferente e, por isso, os sinais precisam ser observados dentro do contexto de cada indivíduo.

Ela também alertou para o excesso de informações disponíveis atualmente. Segundo Bruna, ter acesso à informação não significa necessariamente compreender um diagnóstico.

“Nem toda tristeza é uma depressão, nem toda distração é um TDAH, nem todo estresse vai estar relacionado ao burnout”, explicou durante a entrevista.

SEM JULGAMENTO

Um dos principais obstáculos para buscar ajuda ainda é o preconceito. A psicóloga explicou que muitas pessoas sentem vergonha ou culpa por procurar um psicólogo ou psiquiatra porque ainda existe a associação equivocada entre sofrimento mental e ideias como “frescura” ou “loucura”.

Esse tipo de julgamento pode fazer com que a pessoa esconda o que está sentindo, reprima as emoções e demore a procurar ajuda.

Para Bruna, combater esse estigma é fundamental para que quem está sofrendo consiga se sentir seguro para falar sobre o que está acontecendo.

COMO ACOLHER

Quando familiares, amigos ou colegas percebem mudanças no comportamento de alguém, a orientação é evitar cobranças e frases que diminuam ou invalidem o sofrimento.

Em vez de dizer que a pessoa “tem tudo” para estar bem ou questionar por que ela está daquela maneira, a recomendação é demonstrar disponibilidade.

Uma abordagem simples, segundo a psicóloga, é deixar claro: “Eu estou aqui”.

O objetivo é mostrar que existe um espaço seguro para conversar, buscar orientação e, quando necessário, procurar um profissional de saúde.

REDE DE APOIO

A rede de apoio pode envolver familiares, amigos, escolas, empresas e profissionais da saúde. Em casos envolvendo crianças e adolescentes, por exemplo, a escola pode perceber mudanças de comportamento e ajudar a aproximar a família dos serviços de atendimento.

Bruna também destacou a importância da Rede de Atenção Psicossocial, que envolve serviços como unidades básicas de saúde e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), além de atendimentos de urgência e emergência quando necessários.

Em situações de sofrimento intenso, a avaliação de profissionais de diferentes áreas pode ser necessária para definir o melhor acompanhamento.

AUTOLESÃO

Durante a entrevista, a psicóloga também falou sobre comportamentos como a autolesão e o uso abusivo de álcool e outras substâncias.

Segundo ela, algumas pessoas podem recorrer a esses comportamentos como uma tentativa de aliviar uma dor emocional intensa. No caso da autolesão, esse alívio pode ser apenas momentâneo, enquanto o sofrimento que levou ao comportamento continua presente.

Bruna alertou ainda para a ideia equivocada de que uma pessoa que se automutila ou tenta tirar a própria vida estaria apenas “chamando atenção”.

Ela explicou que o sofrimento emocional pode se desenvolver gradualmente e que sinais que não são percebidos ou acolhidos podem se intensificar com o tempo.

BUSQUE AJUDA

A orientação da psicóloga é que pessoas que percebam sinais de sofrimento em si mesmas ou em alguém próximo não tenham medo de buscar ajuda.

Além de procurar uma unidade de saúde, psicólogo ou médico, existe o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, que oferece atendimento gratuito e sigiloso.

Bruna reforçou que, em momentos de sofrimento intenso, uma conversa, uma escuta atenta ou simplesmente a presença de alguém disposto a acolher pode fazer diferença.

“É importante trazer esse acolhimento de forma clara, direta, segura e responsável e oferecer apoio”, destacou a psicóloga.

CUIDADO CONTÍNUO

Para Bruna Aquino, o principal recado do Setembro Amarelo é que falar sobre saúde mental precisa fazer parte do cotidiano.

A campanha serve como oportunidade para ampliar a informação e combater o preconceito, mas o cuidado deve continuar durante todo o ano. Reconhecer mudanças, evitar julgamentos, oferecer apoio e incentivar a busca por atendimento profissional são atitudes que podem contribuir para uma rede de proteção mais preparada.

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