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Sem laboratório, é impossível saber quanto agrotóxico engolimos em MS

Só tem regulamentação para análise de 27 princípios ativos. No Brasil são usados 504 agrotóxicos.

10/04/2019 10h53
Por: Mirela Coelho

São 504 agrotóxicos regulamentados para uso no Brasil, entretanto a Anvisa faz análise de apenas 27 substâncias nos alimentos. Na água, os testes também não são tão abrangentes. Ainda assim, os resultados não são claros e não permitem saber a quantidade exata destes insumos agrícolas que acabam sendo ingeridos pela população.

Esta é a avaliação da professora doutora e pesquisadora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) Alexandra Pinho, que também faz parte da Comissão de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, presidida pelo promotor Luciano Loubet. “Ninguém sabe (quanto de agrotóxico é consumido) e isso é um problema seríssimo. É um dos maiores problemas que a gente tem”, avalia. “Nem a legislação nos protege. Só tem regulamentação para análise de 27 princípios ativos. No Brasil são usados 504 agrotóxicos. E ainda tem os contrabandeados. Até os proibidos no Brasil, trazem do Paraguai e da Bolívia”, alerta.

“Não existe laboratório no Estado para análise. Aqui na Química temos aparelhos antigos. Já tentei brigar para conseguir aparelhos novos, mas a gente não consegue aprovar projetos”, afirma Alexandra.

Por meio da comissão, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) destinou uma verba de R$ 30 mil para uma pesquisa da UFMS. De acordo com a pesquisadora, com este valor será possível custear a análise da água de alguns municípios do Estado. Ainda sem definição, serão escolhidos aqueles que têm atividades agrícolas mais intensas.

Em relação a quantidades de substâncias, Alexandra menciona análises realizadas pela Anvisa em alimentos e pela Sanesul e Águas Guariroba, na água. “Mas as análises não são muito claras. O limite no Brasil para o glifosato na água é de 500 microgramas por grama. A Águas diz que tem menos do que 30 microgramas, mas a gente não sabe quanto tem. Na legislação europeia a quantidade permitida é 0,1 micrograma, o permitido aqui (no Brasil) é de 500 microgramas por grama, é 5 mil vezes a mais”, detalha.

“A legislação é extremamente permissiva. Tanto na água quanto nos alimentos. E não temos capacidade de fazer pesquisa com esses valores, não tem dinheiro, não tem aparelhagem. No Brasil, tem laboratórios bons em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Para fazer análise, agora, estou mandando pra Santa Maria (RS). O ideal seria termos um laboratório aqui e não é falta de projetos. Eu mando, a Química manda, mas a gente não consegue aprovar”, reforça.

Informação do site Campo Grande News

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