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quinta-feira, 16 de julho, 2026

Saúde cardiovascular e novos tratamentos transformam abordagem do diabetes no Brasil

O tratamento do diabetes vai muito além do controle da glicose. A relação direta da doença com complicações cardiovasculares — como infarto, AVC e insuficiência renal — coloca o tema no centro de uma abordagem mais ampla e integrada da saúde pública. É o que defende o cardiologista Bruno Bandeira, membro da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), que destaca a urgência da prevenção e do diagnóstico precoce.

Segundo Bandeira, o diabetes está frequentemente associado a hipertensão e colesterol alto, fatores que ampliam os riscos de eventos graves e debilitantes. “A doença gera sofrimento, incapacita e sobrecarrega o sistema de saúde. Muita gente só descobre que é diabética quando a complicação já está instalada”, alerta.

Essas e outras questões estão reunidas no novo manual “Diabetes e Doença Cardiovascular”, que será lançado no 42º Congresso de Cardiologia da Socerj, entre os dias 8 e 9 de maio, no Expo Mag, no Rio de Janeiro. O guia, com oito capítulos, traz orientações práticas para médicos da atenção primária e especialistas, abordando diagnóstico, risco cardiovascular, terapias individualizadas e estratégias de acompanhamento.

O cardiologista também destaca o impacto das novas terapias no tratamento da doença. Medicamentos como os inibidores de SGLT2 e agonistas do GLP-1, como a empagliflozina, dapagliflozina e semaglutida, têm mostrado eficácia não apenas no controle da glicemia, mas na proteção cardíaca e renal. “Essas drogas mudaram a lógica do tratamento. O foco passou a ser o paciente como um todo”, afirma. A dapagliflozina, por exemplo, já está disponível gratuitamente no SUS para diabéticos com mais de 65 anos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também aprovou recentemente a Awiqli, a primeira insulina semanal para tratar os tipos 1 e 2 da doença, o que promete revolucionar a rotina de pacientes.

Apesar dos avanços, o diabetes segue sendo um dos maiores desafios da saúde pública. Para o endocrinologista Saulo Cavalcanti, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o cenário é preocupante: uma pessoa morre a cada sete segundos no mundo por complicações da doença, segundo a Federação Internacional de Diabetes.

Dados da pesquisa Vigitel Brasil 2023 indicam que 10,2% da população brasileira é diabética, cerca de 20 milhões de pessoas — um aumento em relação aos 9,1% registrados em 2021. O tipo 2 representa 90% dos casos, mas cerca de 55% desses pacientes desconhecem o diagnóstico.

“Diabetes não tem cura, tem controle. Mas o desconhecimento, o custo elevado dos medicamentos e a baixa adesão ao tratamento dificultam a resposta efetiva”, conclui Cavalcanti.

Com informações Agência Brasil

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