Homenagem da Força Tática durante a colação de grau fez Isabela Cézero reviver a presença do policial da ROTAI, morto em serviço quando ela tinha 9 anos
Aos 25 anos, Isabela Cézero atravessava o palco da AEMS, em Três Lagoas, para receber o diploma em Odontologia quando sentiu algo que não experimentava desde a infância. Ao ver os policiais da Força Tática do 2º Batalhão da Polícia Militar avançarem pelo anfiteatro, em formação silenciosa, a recém-formada não enxergou apenas fardas. Sentiu a presença do pai — um abraço interrompido aos 9 anos, mas jamais apagado pela memória.
O pai de Isabela era o então cabo da Polícia Militar Edu Wesley Inácio de Almeida, integrante da ROTAI (Ronda Ostensiva Tática do Interior), morto em serviço em 2010, em Três Lagoas. A ausência atravessou aniversários, datas comemorativas e conquistas importantes da família. Naquela noite, porém, a saudade ganhou forma, passo e sentido.




O anúncio da homenagem rompeu o protocolo da solenidade e mudou o ritmo do anfiteatro. Os policiais seguiram pelo corredor central e se posicionaram ao lado da formanda, representando o pelotão onde Edu Wesley construiu sua história dentro da corporação. Ao compreender o que acontecia, Isabela se emocionou. As lágrimas vieram antes de qualquer reação consciente, acompanhadas de um silêncio respeitoso que tomou o público.
Em entrevista à Caçula FM, Isabela descreveu o impacto do momento:
“De primeiro momento, eu fiquei um pouco assustada. Não estava esperando, foi realmente uma surpresa. Em nenhum momento suspeitei. Mas fiquei extremamente feliz. Foi como se eu realmente pudesse ter sentido a presença do meu pai naquele momento. Eu me senti acolhida.”
A homenagem simbolizou mais do que um gesto individual. Representou a continuidade de um vínculo que, na cultura das operações táticas, ultrapassa a vida. A irmandade construída na farda permanece, mesmo quando um dos seus não pode mais estar fisicamente presente — um ensinamento que marcou a trajetória de Edu Wesley e ecoou naquela cerimônia.
Ao final da solenidade, os abraços dos policiais selaram o momento que comoveu o anfiteatro e arrancou aplausos longos e emocionados. A dor deu lugar à honra; a ausência, ao orgulho. Ali, a memória foi tratada com respeito e a saudade, com dignidade.



Reconhecido como um policial exemplar, profundo conhecedor das doutrinas policiais e integrante de um grupo seleto da corporação, Edu Wesley Inácio de Almeida deixou um legado que permanece vivo na lembrança dos companheiros de farda e, sobretudo, na trajetória da filha.
Com o diploma em mãos, Isabela levou ao palco mais do que uma conquista acadêmica. Levou uma história construída com resiliência, amor e coragem. Naquela noite, a formatura deixou de ser apenas um rito de passagem — tornou-se um reencontro silencioso entre pai e filha, mediado por uma farda que nunca deixou de protegê-la.


