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R$ 2,4 mi do Min. do Esporte repassados a ONG desapareceram em 3 dias

Geral – 25/01/2012 – 12:01

Os R$ 2,4 milhões que a ONG Instituto Cidade, de Juiz de Fora (MG), recebeu do Ministério do Esporte, em 2011, via Banco do Brasil, para desenvolver o projeto Pintando a Cidadania esgotaram-se três dias.

Conforme extrato bancário do Instituto Cidade ao qual a reportagem teve acesso, a transferência do dinheiro ocorreu em 28 de março de 2011, em duas parcelas: R$ 2.366.452,44 e R$ 43.070,00, totalizando R$ 2.409.522,44. O dinheiro destinava-se à compra material e produção de equipamentos esportivos, como bolas, redes de futsal e bandeiras.

Extrato bancário da ONG Instituto Cidade revela que o dinheiro repassado pelo Ministério do Esporte que deveria ser suficiente para um ano de atividade durou apenas três dias

Os recursos depositados pelo Ministério do Esporte deveriam durar até o fim do convênio, no dia 23 de março deste ano. Mas não foi isso o que ocorreu. O dinheiro foi retirado em três dias e apenas 10% do material que deveria ser entregue foi efetivamente produzido.

No mesmo dia do recebimento da verba, o responsável pela movimentação da conta corrente transferiu R$ 1,4 milhão para uma “conta de aplicação”, e destinou R$ 1 milhão para “pagamento a fornecedores”. Pela operação, o Banco do Brasil cobrou tarifa de R$ 3,20. Mas não há detalhes sobre quem são os “fornecedores” beneficiados, por exemplo. Tal informação também não consta do dossiê do Ministério do Esporte a que a reportagem teve acesso, documento que está em análise na Polícia Federal de Juiz de Fora.

Com essa movimentação e mais um pagamento de R$ 1.000, a conta corrente do Instituto ficou reduzida a R$ 8.519 em apenas três dias de operação (28 a 30 de março de 2011).

O próprio Ministério do Esporte estranhou a movimentação financeira e convocou, no dia 23 de novembro do ano passado, o presidente da ONG, José Augusto Silva, para explicar os motivos das transações. A José Silva foi também solicitada a apresentação de “extrato atualizado da movimentação bancária da conta exclusiva do convênio”. Em vão. Ele alegou que, com a apreensão dos documentos pela Polícia Federal, não poderia atender ao solicitado pelo Ministério.

O QUE DEVERIA TER SIDO FEITO E O QUE FOI PRODUZIDO PELO INSTITUTO CIDADE

Produto O que foi produzido O que deveria ter sido feito

Bolas Nada 8.000 unidades

Redes de futsal e vôlei 400 unidades 2.000 unidades

Camisetas 26 mil unidades 60.500 unidades

Bonés 4.900 unidades 61.250 unidades

Fonte: Ministério do Esporte

As explicações do presidente do Instituto Cidade não convenceram. No dia 9 de janeiro deste ano, um relatório interno do Ministério do Esporte que integra volumoso processo – tudo já enviado à Polícia Federal – , adianta que “há indícios de malversação do dinheiro público” na ONG Instituto Cidade, e que a mesma “não se esforça em elucidar as denúncias feitas”.

Atualmente, as atividades do Instituto Cidade estão paralisadas. A reportagem esteve em Juiz de Fora e encontrou uma fábrica de materiais esportivos vazia. Um funcionário informou que tinha dispensado os mais de 40 trabalhadores, já que não havia dinheiro para produzir qualquer material ou efetuar pagamentos.

José Augusto da Silva não foi localizado durante os dois dias em que a reportagem esteve na cidade mineira. Na terça-feira, porém, diante de reportagem publicada pelo UOL, Silva convocou uma entrevista coletiva para esta quarta, 15h, em Juiz de Fora.

Também em resposta à reportagem, o Ministério do Esporte divulgou nota oficial afirmando que, “se confirmados os indícios de irregularidades, ocorrerá a rescisão do convênio, com a conseqüente instauração de Tomada de Contas Especial (TCE).” A pasta afirmou também que investiga os indícios de irregularidades desde novembro do ano passado.

Fonte: Ig

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