31/05/2014 – Atualizado em 31/05/2014
Professores, funcionários e estudantes da USP decidem manter greve
Na Unesp e na Unicamp paralisação também continua
Por: R7
Em assembleias realizadas na última quarta-feira (28), professores, funcionários e estudantes da USP (Universidade de São Paulo) decidiram continuar paralisação iniciada na última terça-feira (27).
Na assembleia da Adusp (Associação dos Docentes da USP), foi decidida a realização de um ato unificado das categorias das três universidades públicas paulistas (USP, Unesp e Unicamp) em frente à reitoria da Unesp ( Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”), na capital paulista.
Esta semana, o Sintusp (Sindicato dos Funcionários da USP) anunciou que a greve das universidades pretende se juntar à dos professores municipais, iniciada no dia 23 de abril, resultando em uma grande manifestação na próxima semana.
Uma nova reunião entre a comissão técnica do Cruesp (conselho de reitores da USP, Unesp e Unicamp) e membros do Fórum das Seis (entidade que reúne funcionários, professores e alunos da USP, Unesp e Unicamp) acontece hoje em São Paulo.
Greve
A paralisação foi definida pelas categorias em assembleias realizadas no último dia 21, após o anúncio do Cruesp de que não haverá reajuste salarial nas três universidades públicas paulistas este ano. Além disso, funcionários reivindicam reajuste salaria de 10%.
Na USP, grevistas também reclamam do corte de recursos financeiros na ordem de 30% para todas as unidades em decorrência da crise financeira pela qual passa a instituição. Segundo a comunidade universitária, a medida afeta profundamente o ensino, a pesquisa e extensão.
Frente ao cenário, na assembleia do último dia 28, que, segundo o Sintusp, contou a com a participação de 2.500 pessoas, os servidores da Universidade de São Paulo decidiram pela manutenção da greve por tempo indeterminado.
Adesão parcial
No primeiro dia de greve na USP, a adesão das unidades foi parcial. Durante o dia, diversas faculdades discutiam se iriam aderir ou não à greve. No prédio da História e Geografia, na Cidade Universitária, alunos fizeram um “cadeiraço” —empilhamento de carteiras— em um corredor para evitar aulas acontecessem.
Na Unicamp, segundo a Adunicamp (Associação dos Docentes da Unicamp), a adesão da categoria à paralização do último dia 28 chegou a pelo menos 60%. Em nota, a universidade disse que a greve só atingiu 15% das 22 unidades de ensino e pesquisa.
Esta semana, também foi registrada paralisação de atividades nos campi da Unesp em Franca, Rio Claro, Araraquara e Jaboticabal.
Comprometidas
USP, Unicamp e Unesp passam por um crise financeira anunciada em meados do mês de maio. A situação fez com que as universidades congelassem salários e contratações. Atualmente, os índices de comprometimento do orçamento com folha de pagamento das três universidades são da ordem de 105%, 96,3% e de 94,4%, respectivamente.
Na última quinta-feira (29), a Unesp decidiu suspender 390 contratações de docentes e funcionários previstas para este ano. A normalização da situação só se dará em 2015.
Segundo informe da reitoria da USP encaminhado à comunidade acadêmica na noite da última quarta-feira (28), para pagar os salários dos servidores docentes e não docentes e honrar contratos a universidade tem gastado, por mês, R$ 90 milhões acima do que recebe do governo de São Paulo.
Atualmente, a instituição recebe do Estado R$ 360 milhões mensais, mas gasta R$ 375 milhões apenas com salários e benefícios e R$ 75 milhões adicionais com outras despesas referentes a aquisições realizadas em 2013 e que têm sido pagas este ano.



