02/06/2014 – Atualizado em 02/06/2014
PR, PSDB, DEM e PSD estarão em palanques diferentes contra Nelsinho
Por:Correio do Estado
Os principais partidos de Mato
Grosso do Sul e tradicionais
parceiros do PMDB migraram
para outras coligações ou concorrerão
à sucessão estadual
com candidatura própria. É
o caso do PSDB. Os tucanos,
finalmente, descolaram definitivamente
do PMDB depois
de muitos anos de caminhada
lado a lado nos grandes
embates eleitorais com o PT.
Nas eleições municipais de
2012, o PSDB decidiu romper
as ligações com o PMDB para
disputar a Prefeitura de Campo
Grande com o deputado
federal Reinaldo Azambuja.
Por poucos votos não tirou o
candidato peemedebista, deputado
federal Edson Giroto
— depois retornou ao PR — do
segundo turno.
No final da disputa eleitoral,
o PSDB optou por se unir
ao PT para apoiar a eleição
de Alcides Bernal (PP) para a
prefeitura. Essa aliança não
demorou muito. Os tucanos
abandonaram Bernal por divergências
políticas e administrativas.
Com o desmanche da então
sólida base partidária do
governador André Puccinelli
(PMDB), o maior prejudicado
está sendo o pré-candidato
peemedebista ao governo do
Estado, ex-prefeito de Campo
Grande Nelsinho Trad.
Ele não terá a mesma quantidade
de partidos na aliança
que apoiou as duas eleições
de André para governador do
Estado.
O esperado apoio automático
dos tradicionais aliados do
PMDB não aconteceu. O governador
contava como certa
a adesão do PR e do PSD. Ele
nunca poderia imaginar os republicanos
fora do palanque
do PMDB e muito menos do
PSD.
Os dois deixaram o arco de
aliança peemedebista para
buscar caminho diferente
nas próximas eleições. O PR
se juntou ao PT do pré-candidato
a governador e senador
Delcídio do Amaral, e o PSD
fechou com o PSDB de Reinaldo
Azambuja.
André foi surpreendido com
a migração dos dois partidos,
tanto que declarava a permanência
do PR “por bem ou por
bem”. Ele não levou a sério os
sinais emitidos pelo presidente
regional do partido, deputado
estadual Londres Machado.
O decano da Assembleia
Legislativa, completando 44
anos de mandato parlamentar,
não ficou com o PMDB
porque encontrou as portas
fechadas para negociação de
espaço na chapa majoritária.
No PT, o PR poderá indicar o
candidato a vice-governador
de Delcídio do Amaral.
Surpreso com a adesão ao
PT, André reagiu de forma emblemática:
“O PR foi por mal”,
quando imaginava que ficaria
na aliança do PMDB “por bem
ou por bem”.
A mesma posição teve o
PSD. Mesmo sendo amigo
pessoal de Nelsinho Trad, o
presidente regional do partido,
ex-senador Antonio João
Hugo Rodrigues, tomou decisão
política de buscar o melhor
para o partido. A opção
mais viável foi se unir ao PSDB
com o compromisso de o PSD
indicar o candidato a senador.
E este candidato será Antonio
João.
A única certeza do dirigente
era de que PSD não se aliaria
ao PT para apoiar a eventual
candidatura de Delcídio do
Amaral ao governo do Estado.
Aliança. André não conseguiu segurar seus aliados para Nelsinho
álvaro rezende
A presidente Dilma Rousseff
(PT) ainda não iniciou as
sondagens para definir quem
será o sucessor do ministro
Joaquim Barbosa no Supremo
Tribunal Federal (STF), mas já
sinalizou a interlocutores que
pode bater o martelo só depois
da Copa.
Dilma não descarta sacar
um novo nome em vez de
aproveitar opções na prateleira
de sondagens anteriores.
Com a aposentadoria de
Barbosa, a petista indicará
seu quinto ministro do STF.
Mas não superará o número
de escolhas de seu antecessor
imediato, Luiz Inácio Lula da
Silva: oito. Do total de ministros
apontados por Lula, quatro
seguem na corte.
Barbosa, também escolhido
por Lula, anunciou sua saída
do cargo após 11 anos no STF.
Ele teria direito a ficar até sua
aposentadoria compulsória
Dilma deve escolher novo
ministro depois da Copa
sucessor de Barbosa
em 2024, quando completará
70 anos.
Segundo a Folha apurou, os
ministros José Eduardo Cardozo
(Justiça) e Luís Inácio
Adams (Advocacia-Geral da
União) não são cotados para o
cargo. Cardozo é um dos auxiliares
no processo de escolha.
Ao lado do petista Sigmaringa
Seixas, com trânsito no meio
jurídico, o titular da Justiça faz
as sondagens antes de Dilma
decidir.
Um interlocutor palaciano
mostrou dúvidas quanto a
uma rápida definição do sucessor
de Barbosa. Segundo
ele, Barbosa só sai em junho.
Depois, o Congresso entra em
recesso. Por essa lógica, um
anúncio após a eleição não estaria
descartado, já que seria
ruim ter um ministro agora e
“deixá-lo pendurado” até que
o Senado vote a escolha.
Dilma mudou o perfil de
indicações após sua primeira
escolha, quando optou por
Luiz Fux. Ao acompanhar a
atuação do magistrado no
Supremo, ela decidiu migrar
para nomes considerados por
ela de “maior perfil técnico”.
“Ela quer um perfil Teori
Zavascki”, em alusão àquela
que é tida no Palácio do Planalto
como a mais bem sucedida
das indicações de Dilma.
No julgamento do mensalão,
quando o tribunal condenou
25 pessoas, entre elas a
cúpula do PT, Fux foi um dos
ministros que mais se alinhou
às ideias de Barbosa.
Saída. Barbosa deixará o STF depois de colocar petistas na cadeia
divulgação.
Ele imaginava compor com o
PMDB devido ao estreito relacionamento
com Nelsinho.
Mas nunca foi procurado para
tratar concretamente de apoio
político e viu as portas se fechando
para entendimento.
O dirigente do PSD mencionou
ao governador André
Puccinelli e a Nelsinho Trad
a impossibilidade de integrar
a aliança do PMDB, porque
não sobrou nada na chapa
majoritária. A vaga de vice-governador
ficou para o PSB, a
de Senado está sendo ocupada
pela vice-governadora Simone
Tebet por imposição de
André. A primeira suplência
de senador também será indicado
pelo PSB. “Não sobrou
nada”, observou Antonio João.
“O nosso partido não tinha valor
nenhum para o PMDB e aí
apareceu o PSDB dando valor
a nós e propôs aliança”, comentou.
O DEM é outro partido que
não deverá compor o palanque
de Nelsinho Trad na sucessão
estadual. O deputado
federal Luiz Henrique Mandetta,
mesmo sendo primo
de Nelsinho, que o lançou na
política, também está procurando
agir com cautela para
não errar nas decisões. Como
presidente regional dos democratas,
Mandetta sempre
seguiu os passos do partido
ao caminhar ao lado do PSDB.
Os dois têm aliança nacional
brasília
de muitos anos e não poderia
ser diferente em Mato
Grosso do Sul. Outro fator
preponderante é a reeleição.
Mandetta teria, em tese,
mais chance de se eleger na
aliança com o PSDB do que
ao juntar-se à pesada composição
da chapa proporcional
do PMDB.
Com o cenário, os grandes
partidos que ainda apoiam
o governador André Puccinelli
se dividiram em caminhos
diferentes na sucessão
estadual. O governador, que
está fora da disputa eleitoral,
não conseguiu segurá-los na
aliança de Nelsinho Trad.
Mesmo sendo parceiros de
André, esses partidos serão
adversários do ex-prefeito de
Campo Grande na sucessão
estadual.



