Geral – 12/04/2013 – 11:04
Temer decidiu publicar os poemas que escrevia em guardanapos durante viagnens de avião entre São Paulo e Brasília Thiago Queiroz/Estadão Conteúdo
Além da atuação no cenário político, o senador José Sarney (PMDB-AP) também é conhecido pela dedicação à vida literária. Imortal da Academia Brasileira de Letras, Sarney ocupa a cadeira número 38 desde 1980.
O senador publicou seu primeiro livro, Ensaio sobre a pesca de curral, aos 23 anos. Um ano depois reuniu seus poemas, publicados em jornais e revistas de São Luis (MA) e lançou A Canção Inicial. Desde então, publicou inúmeros romances, além de contos, crônicas e textos políticos.
Alguns dos livros de Sarney também foram traduzidos para outros idiomas, como francês, espanhol, inglês, russo e até chinês.
O projeto mais recente do senador é sua autobiografia. Sarney decidiu se licenciar do Senado para poder se dedicar exclusivamente à produção do livro.
Mesmo condecorado com a Medalha Machado de Assis, na Academia Brasileira de Letras, e fazendo parte das Academias Maranhense e Brasiliense de Letras, o trabalho literário de José Sarney já foi alvo de críticas de seus colegas escritores.
A respeito de Brejal dos Guajas, lançado em 1985, o desenhista e dramaturgo Millôr Fernandes chegou a dizer que se tratava de “uma obra-prima sem similar na literatura de todos os tempos, pois só um gênio poderia fazer um livro errado da primeira à última frase”.
Vice-presidente e poeta
Quem também dá sinais de que vai se dedicar à atividade literária é o vice-presidente da República, Michel Temer. Seu primeiro livro, Anônima Intimidade, foi lançado em janeiro de 2013 e reúne poemas que ele escreveu em guardanapos, durante suas viagens de avião entre São Paulo e Brasília.
A maioria dos versos fala sobre amor, inspiração e arrependimentos. Temer também presta homenagens a grandes escritores, como Álvares de Azevedo, a quem dedica um dos poemas do livro. Castro Alves e José de Alencar também são lembrados.
Aos amigos, o vice-presidente confidenciou que sempre quis ser escritor. Temer teria mostrado algumas das poesias ao ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Carlos Ayres Britto, e foi convencido a publicá-las.
Trocando a toga pelo fardão
Ayres Britto assina o prefácio do livro de Michel Temer e também é autor de poemas e livros jurídicos. Membro da Academia Sergipana de Letras, o ex-presidente do STF tem seis livros de poesia publicados.
Ao se aposentar em novembro do ano passado, quando completou 70 anos e foi obrigado a se afastar do Supremo, Ayres Britto declarou que iria se dedicar à literatura. Mesmo dizendo que não gosta de fazer planos, na ocasião, o ministro citou alguns projetos.
— Não sou saudosista, não vivo nostalgicamente preso ao passado e também não faço planos. Mas tenho um livro de poesia pronto, que não quis lançar na presidência do STF, e um de Direito para terminar.
A veia poética de Ayres Britto ficava evidente quando o ministro se pronunciava durante os debates no plenário do Supremo. Em vários momentos, durante o julgamento do mensalão, o ex-ministro usou clássicos da literatura para expor sua opinião:
— Shakespeare falou: há muito método nessa loucura.
Menos de um mês depois de se aposentar e tirar toga de juiz, Ayres Britto vestiu o fardão para tomar posse na Academia Brasiliense de Letras.
Fonte: Portal R7


