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Polícia Federal e Ibama investigam fechamento de baías no Pantanal

Policial – 22/02/2013 – 13:02

Operação ”Água Limpa” está sendo feita pela Polícia Federal, juntamente com analistas do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis), para investigar o fechmento de baías na região do Caronal, em Coxim.

A ação foi desencadeada a partir de denúncia do site Edição de Notícias ao procurador regional do Ministério Público Federal, Daniel Fontenele Sampaio Cunha.

De acordo com o Edição de Notícias, as equipes estiveram no local indicado pela reportagem e o objetivo da operação foii materializado com as provas evidenciadas por fotografias e constatações periciais suficientes para serem levadas as autoridades competentes.

A equipe encontrou no local uma draga (foto abaixo) que retira areia para contenção das águas, a qual foi identificada e lacrada pelo Ibama, assim como está sendo monitorada pela Polícia Federal para comprovação do proprietário.

Na região, várias baías do rio Taquari estão sendo fechadas, provocando desequilíbrio ambiental com a mortandade de peixes. O turismólogo Ariel Albrecht explica que as baías são fechadas por determinação de fazendeiros, que visam apenas lucro, ganhando pequenos pedaços de terra para o gado pastar.

No final de janeiro, uma equipe do Edição de Notícias desceu até o Caronal. Foram 10 horas de viagem de lancha pelo rio Taquari (ida e volta). Os responsáveis pelo fechamento contam, justamente, com a dificuldade de chegar ao local para cometerem os crimes.

A reportagem flagrou o trabalho numa baia. Sacos de areia sustentados por cercas improvisadas são colocados nas bocas das baías, formando muros. Em seguida, uma draga joga areia para interromper, definitivamente, a entrada de água.

De acordo com Albrecht, essa prática acontece desde a década de 70 e a cada ano é renovada, fazendo com que o pescado fique escasso. “Não são os pescadores, muito menos os turistas que acabam com os peixes, mas sim o fechamento das baías, praticado a mando de latifundiários que usam poderio econômico sobre políticos para ficarem impunes”, indigna-se o turismólogo.

Albrecht explica que essas baías enchem na época das chuvas, formando grandes lagoas onde existem milhares de peixes. “Com a seca e, consequentemente, a baixa do rio, a água volta a percorrer seu curso normal, assim como os peixes”, exemplifica. Entretanto, com o fechamento os peixes não desovam, pois é em dezembro e janeiro que a maior parte dos cardumes deixa as baías para desovar. Mesmo que a baía não seque e os peixes não morram, eles acabam perdendo o tempo de desova, rompendo o ciclo reprodutivo.

Relatos de diversos pescadores dão conta de que são oito fazendas que fecham as baias. O turismólogo acusa esses fazendeiros de gerarem documentos tendenciosos, como laudos, perante órgãos estaduais e federais, que deveriam proteger o meio ambiente, para legitimarem suas ações. Para Albrecht, somente o MPF (Ministério Público Federal) e a Polícia Federal podem impedi-los, porque nas instâncias municipal e estadual os latifundiários sempre ganham. 

Fonte: Correio do Estado

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