01/03/2017 18h47
Adolescente de 13 anos morreu no domingo (26) na Zona Norte de SP. PM e pai do garoto tiveram informação de agressão, mas funcionários alegam que ele teve parada cardiorrespiratória
Por: G1
A Polícia Civil investiga se um adolescente de 13 anos que morreu no domingo (26) após confusão em um Habib’s foi agredido por funcionários da lanchonete ou se teve um mal súbito. O caso aconteceu na unidade do Habib’s da Avenida Itaberaba, na Zona Norte de São Paulo.
Por meio de nota, a assessoria de imprensa do Habib’s informou que “que vai cooperar com as investigações, se empenhando em esclarecer todos os detalhes do ocorrido com prioridade” (leia a íntegra do comunicado mais abaixo).
Ele estaria ameaçando quebrar vidros da loja e de carros de clientes com um pedaço de pau. As informações são da assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Os pais do menino e testemunhas do caso prestaram depoimento na tarde desta quarta-feira (1º).
De acordo com o setor de comunicação da pasta, a polícia apura as causas da morte do menino: se ela foi provocada por uma suposta agressão de empregados do estabelecimento comercial ou se foi causada por algum problema de saúde. O garoto era conhecido na região por pedir esmola e comida.
“Era uma criança que nunca fez mal para ninguém, ele gostava muito do Habib’s. Há dois meses ele foi ameaçado por funcionários da lanchonete e ficou um tempo sem ir lá. Depois ele voltou. Ele sempre pedia uma moeda para as pessoas, mas sempre do lado de fora”, disse Aline Cardoso, tia do menino morto.
O caso foi registrado no último domingo no 13º Distrito Policial (DP), na Casa Verde, como “morte suspeita” a esclarecer. Isso porque o boletim informa que a Polícia Militar (PM) tinha ido ao local atender uma ocorrência de agressão e o pai do garoto estava com a informação de que seu filho havia sido agredido no Habib’s. Mas depois funcionários deram outra versão: que foram repreender o menino, que saiu correndo, teve um mal súbito e caiu.
Consta no registro policial que a PM foi acionada para atender ocorrência de agressão, sem dar detalhes de quem seria o agressor e a vítima, por volta das 19h de domingo. Mas ao chegarem lá, não encontraram o garoto. Funcionários relataram que o menino passou mal e foi levado por uma ambulância a um hospital.
Segundo o boletim, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreu o menino, mas antes de chegar ao Hospital do Mandaqui, ele teve uma parada cardiorrespiratória, não resistiu e morreu. De acordo com a declaração de óbito, as causas da morte são desconhecidas.
A ocorrência informa que o pai do adolescente chegou a ir até o hospital depois de ser informado que seu filho teria sido agredido e confirmou que ele era usuário de lança-perfume. Apesar disso, a polícia informou que não foram encontradas marcas de agressão no corpo do menor.
Investigação
De acordo com a assessoria de imprensa da SSP, apesar de o caso ter sido registrado no 13º DP, ele será investigado pelo 28º DP, Freguesia do Ó. O G1 não conseguiu localizar o pai do menino para comentar o assunto nesta quarta-feira.
A reportagem falou nesta manhã com policiais do 13º e do 28º DP, que disseram que somente o resultado de um laudo necroscópico, que será produzido pelo Instituto Médico-Legal (IML), deverá apontar o que matou o menor.
Investigadores também disseram que vão tentar analisar imagens de câmeras de segurança na região para saber se elas gravararam a confusão para ajudar a esclarecer o caso.
“Os fatos ocorreram às 19h de domingo. O registro ocorreu apenas às 4 da manhã do dia 27. E as investigações se iniciaram só hoje, três dias depois. Apurações de possíveis homicídios não podem ficar paradas em razão de feriados. Já deu tempo do Habib’s sumir com as imagens, ou editá-las”, disse Ariel de Castro Alves, coordenador da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente do Condepe.



