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sábado, 27 de junho, 2026

Pesquisa em MS aumenta eficácia da quimioterapia

Tecnologia apoiada pela Fundect alcança até 99,6% de inibição tumoral em testes experimentais

Uma pesquisa conduzida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com apoio do Governo do Estado por meio da Fundect e da Semadesc, apresentou resultados promissores no desenvolvimento de uma nova estratégia para potencializar medicamentos utilizados na quimioterapia.

O estudo investe em nanopartículas de sílica — estruturas microscópicas milhares de vezes menores que a espessura de um fio de cabelo — que funcionam como “veículos” para transportar os fármacos diretamente às células cancerígenas. Com essa abordagem, é possível manter a eficácia do tratamento utilizando doses menores, o que pode reduzir efeitos colaterais.

Em testes experimentais, a tecnologia alcançou até 99,6% de inibição do crescimento tumoral e redução superior a 90% no peso dos tumores. As nanopartículas contendo citarabina e doxorrubicina apresentaram os melhores desempenhos, demonstrando elevada capacidade de impedir a multiplicação das células doentes.

De acordo com o professor Marcos Utrera Martines, responsável pela pesquisa, o planejamento do tamanho e da morfologia das partículas foi determinante para preservar a atividade anticâncer dos medicamentos e diminuir as concentrações necessárias. Os resultados também indicaram alta seletividade, ou seja, maior ação contra células tumorais em comparação às células saudáveis.

Outro diferencial do projeto foi a utilização do ácido fólico como estratégia de direcionamento. Muitas células cancerígenas possuem grande quantidade de receptores dessa substância, o que permite que o medicamento seja conduzido preferencialmente ao tumor. Segundo o pesquisador, o ácido fólico atua como um “endereço” biológico, facilitando a entrega mais precisa do tratamento.

A iniciativa foi contemplada pela Chamada Especial Fundect/UFMS 23/2022 – Atração de Recém-doutores para Mato Grosso do Sul, além de receber recursos do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), desenvolvido em parceria com o Ministério da Saúde para fortalecer pesquisas aplicadas à saúde pública.

O projeto já resultou em pedidos de patente e apresenta potencial de transferência tecnológica tanto para o setor produtivo quanto para o Sistema Único de Saúde (SUS), seja por meio de parcerias para desenvolvimento produtivo ou pela criação de empresas de base tecnológica.

A divulgação da pesquisa marca ainda o início da série “Fundect: MS ama Ciência”, que pretende apresentar resultados concretos de estudos financiados no Estado, evidenciando o impacto do investimento público em ciência e inovação para a sociedade sul-mato-grossense.

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