Especialistas destacam que acompanhamento dos pais fortalece a autonomia, a confiança e o desempenho dos estudantes ao longo do ano letivo
A presença da família na rotina escolar é um dos fatores que mais influenciam o aprendizado e o desenvolvimento das crianças e adolescentes durante o ano letivo. Em meio à correria do dia a dia, entre trabalho, compromissos domésticos e cuidados pessoais, acompanhar os estudos dos filhos pode parecer um desafio. No entanto, especialistas reforçam que esse envolvimento é fundamental tanto para o progresso acadêmico quanto para o bem-estar emocional dos estudantes.
Segundo educadores, quando pais e responsáveis acompanham de perto a vida escolar, eles se mantêm informados sobre a evolução do processo de aprendizagem e transmitem aos filhos a sensação de apoio e segurança. Esse suporte, aliado a expectativas realistas e a um ambiente acolhedor, contribui para a formação de alunos mais organizados, confiantes e preparados para enfrentar desafios dentro e fora da sala de aula.
Para orientar as famílias, quatro educadores reuniram oito dicas práticas que ajudam a construir uma relação mais saudável com os estudos, estimulando a autonomia, o interesse pelo aprendizado e o fortalecimento do vínculo entre família e escola.
Estabelecer horários previsíveis para estudar, se alimentar, descansar e realizar atividades de lazer ajuda a criança a se organizar e a se sentir mais segura. Para Marcelo Freitas, orientador educacional do Brazilian International School (BIS), de São Paulo, a rotina não deve ser vista como rigidez. “Quando a criança sabe o que esperar do dia, ela consegue se concentrar melhor e administrar o tempo com mais tranquilidade”, explica.
A organização dos estudos também é apontada como essencial. Ajudar o filho a montar um cronograma, com metas alcançáveis e estratégias para cada disciplina, contribui para o desenvolvimento da autonomia. “O papel da família é ensinar a planejar, e não planejar por ela”, ressalta Freitas.
Um espaço apropriado para os estudos, organizado, iluminado e sem distrações, favorece a concentração. Além disso, o aprendizado pode ir além dos livros. “Filmes, leituras, visitas a museus e viagens ampliam o repertório cultural e tornam o aprendizado mais significativo”, afirma Maria Eugênia D’Elia, orientadora educacional do Colégio Progresso Bilíngue Taquaral, de Campinas.
A participação ativa na rotina escolar também inclui manter diálogo constante com a escola. Acompanhamento de reuniões, comunicados e contato com a equipe pedagógica fortalecem o processo educativo. “Quando família e escola caminham juntas, a criança percebe que existe uma rede de apoio ao seu redor”, destaca Maria Eugênia.
Os especialistas alertam para os riscos de estudar no lugar da criança. Fazer lições ou resolver atividades por ela pode comprometer o aprendizado. “Isso tira da criança a chance de pensar, errar e aprender com os próprios erros”, explica Isis Galindo, orientadora educacional da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo.
Outro ponto importante é evitar cobranças excessivas. Segundo Isis, a pressão por perfeição pode gerar ansiedade e afastar o estudante do aprendizado. “Respeitar o ritmo da criança é essencial para que ela desenvolva uma relação positiva com os estudos”, afirma.
Mais do que acompanhar notas, oferecer escuta ativa e acolhimento emocional é fundamental. Para Juliana Nico, coordenadora pedagógica da Escola Internacional de Alphaville (EIA), de Barueri, o apoio emocional influencia diretamente o processo de aprendizagem. “Quando o estudante se sente emocionalmente seguro, ele aprende melhor”, ressalta.
Por fim, reconhecer o esforço e as pequenas conquistas fortalece a autoestima e a motivação. “Celebrar o empenho diário ajuda a criança a perceber que aprender vale a pena, desde que esse reconhecimento esteja baseado em valores e não apenas em recompensas materiais”, conclui Juliana.


