22/07/2014 – Atualizado em 22/07/2014
A Polícia Civil e o Crea-SE abriram processos para investigar o acidente
Por: Estadão Conteúdo / R7
A obra do prédio que desabou no sábado (19), em Aracaju, soterrando uma família de quatro pessoas e matando o bebê de 11 meses do casal, era tocada sem o acompanhamento de um engenheiro e havia um andar a mais — quatro, em vez de três — do que a estrutura suportava. As informações são de representantes do Crea-SE (Conselho Regional de Engenharia de Sergipe), que estiveram nesta segunda-feira (21), com o Corpo de Bombeiros, no local onde o prédio desabou.
O presidente do Crea-SE, Jorge Silveira, montou uma equipe de profissionais que continuará a investigação sobre as causas do desabamento. Além de apurar se os projetos estavam compatíveis com o que era executado, o grupo vai avaliar se prédios próximos foram afetados pelo desabamento.
Neste domingo (20), a SSP-SE (Secretaria de Segurança Pública de Sergipe) designou o delegado Valter Simas para investigar quem são os responsáveis pela queda do edifício, no bairro de Coroa do Meio, zona sul da capital.
O delegado fez uma vistoria no local, em companhia de um perito criminal, e se reuniu com o Crea. Simas disse que vai interrogar o dono do imóvel — que até agora não teve o nome divulgado —, o engenheiro responsável pela obra e as três vítimas.
Nas ATRs (Anotações de Responsabilidade Técnica) da obra, constam como responsáveis o engenheiro Antônio Carlos Barbosa de Almeida e o arquiteto Herval de Oliveira Santa Rosa. O secretário adjunto da Segurança Pública, João Batista Oliveira Júnior, afirmou que há indícios de negligência na execução da obra e suspeita de uso incorreto de material para erguer o edifício.
Visita
Quatro pessoas ficaram soterradas com o desabamento, e o resgate das vítimas durou cerca de 35 horas. O bebê Ítalo Miguel, de 11 meses, não resistiu e morreu. No domingo, o ajudante de pedreiro Josevaldo da Silva, de 24 anos, a sua mulher, Vanice de Jesus, de 31, e a filha do casal, Ana Gabrielli, de 8, receberam a visita de um grupo de bombeiros no hospital onde estão internados. A garota ganhou presentes dos militares.
Silva, bastante emocionado, disse que dormia no prédio havia quatro meses e tinha o consentimento do dono do imóvel. No sábado (19), ele notou que o reboco da parede estava caindo. Com relação às horas que passou soterrado com a família, ele disse que chegou a delirar, porque faltava oxigênio.
— Eu ficava imaginando muitas saídas e tentava sair sozinho, mas era impossível. Agradeço a equipe maravilhosa que nos salvou. Infelizmente, o bebê não conseguiu ser salvo.



