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quinta-feira, 19 de fevereiro, 2026

Obra de R$ 8.681.641,49 não resiste ao primeiro vendaval

11/03/2014 – Atualizado em 11/03/2014

Obra de R$ 8.681.641,49 não resiste ao primeiro vendaval.

Falta de fiscalização eficiente na entrega do Ginásio e despreparo municipal para as medidas pós-vendaval, compromete segurança e saúde dos moradores.

Por: Romeu de Campos Junior

Nessa última sexta-feira (07) Três Lagoas (MS) foi palco novamente de mais um temor vindo com o furor da chuva.

A despeito da velocidade do vento e da fúria da chuva acompanhada de granizo nesta última sexta-feira (06) na cidade de Três Lagoas, MS, o causador dos maiores prejuízos foi o Ginásio Poli Esportivo Eduardo Milanez, situado na av. Aldair Rosa de Oliveira que soltou várias telhas da sua cobertura destruindo parte da rede elétrica, espalhando por um raio de mais de 200 metros uma grande quantidade de material feito à base de lã de vidro que ficava acondicionado na parte inferior das telhas que voaram com o vento invadindo casas, ruas, avenidas e quintais dos moradores próximos do local.

O Pólo Esportivo sempre foi questionado por grande da população desde o inicio da sua construção em todos os seus aspectos, local, valor, utilidade, tipo de construção e agora mostrou-se mal construído após o enfrentamento com o seu primeiro vendaval, cuja força e tempo de duração e estragos teria sido 70% menor no seu poder de destruição (no geral) com relação ao acontecido há quatros anos atrás, desnudando uma triste realidade até então não conhecida, vestida e camuflada na falta de uma estratégia emergencial por parte do Poder Executivo para tragédias ou acontecimentos como esse que protejam a segurança do cidadão comum.

O que se viu foi um verdadeiro show de falta de planejamento misturado com falta de procedimentos prontos para esse tipo de emergência, tais como ação prévia planejada e equipe e condições de trabalho para a Defesa Civil, uma central de atendimento aos usuários, ambulâncias disponibilizada para a emergência, estratégias de conduta de uma coordenação que evitaria nesse caso que os garis manuseassem de forma correta e segura as mantas de lã de vidro, ao invés de varrê-las sem qualquer proteção como luvas, máscaras e outras providencias.

O que se viu foi somente a presença de um Secretario Municipal, da Assessora de Gabinete da Prefeita Márcia Moura e de um único vereador no local.

A obra foi construída pela Athlon Construções e Incorporações (hoje questionada pela construção de várias outras obras em uma Ação Popular impetrada na justiça) e entregue no dia 31 de novembro de 2013.

PÁGINA VIRADA

Por ironia do destino ou capricho da natureza, as palavras da Prefeita Márcia Moura foram contestadas poucos meses depois do ato de inauguração.

No seu discurso de entrega disse: A INAUGURAÇÃO DO COMPLEXO POLIESPORTIVODE TRÊS LAGOAS REPRESENTA TAMBÉM “PAGINA VIRADA DA DERRUBADA DAS QUADRAS ESPORTIVAS NO HISTÓRICO E TRISTE VENDAVAL QUE ASSOLOU NOSSA CIDADE, EM SETEMBRO DE 2010…”

Hoje se tem a certeza que os estragos oriundos dos pedaços do Complexo Esportivo são muito mais nocivos que a maioria dos estragos do vendaval. O vento, a chuva e o granizo não destelharam as casas próximas da Avenida Aldair R. de Oliveira, não derrubou cercas, muros ou rede elétrica, derrubou sim a marca que tentaram colocar como uma obra sólida, duradoura e confiável. E diga-se neste momento muito cara por excelência sem o efeito desejado.

Resta saber, através de pessoas competentes para tal fim, se através de um levantamento atual se as colunas de sustentação do Gigante não foram abaladas, o que comprometeria todo o Centro Poli Esportivo. Evidencias não falta talvez vontade de esclarecer.

INEFICIENCIA

O Secretário Municipal de Obras, Walter e a Assessora da Prefeita Municipal Silvana, estiveram por pouco tempo no local para tomar conhecimento dos estragos e não mais foram vistos. A Prefeita Márcia Moura não esteve presente e a Assessora de Imprensa não foi localizada no local.

Uma das providencias que o Secretario Municipal de Obras Walter tomou “in loco”, foi ordenar que equipes de varredores de ruas entrassem imediatamente nas ruas para fazer a limpeza dos locais atingidos que iam até a Rua Joaquim Murtinho. Um fato relacionado como “efeito colateral”, foi a recusa dos “garis” de não fazer a limpeza das calçadas atingidas o que coube aos moradores prejudicados conforme relatos de vários deles, ou seja, não havia uma coordenação nessa massa de gente para instruí-los.

Uma providencia louvável foi dado pelo Secretário Walter para que outro engenheiro fizesse uma criteriosa avaliação das torres de sustentação do local, já que se tem a suspeita que poderiam ter sido abaladas pela força do vento.

É até possível que esse fato se confirme já que o aparecimento de grandes rachaduras no piso das quadras foi tema da Rádio Caçula e do seu site antes da inauguração oficial quando foi publicado uma série de fotos.

Apesar da presença de vários integrantes da Imprensa, a Assessora de Gabinete da Prefeita Municipal entrou calada e saiu muda do local.

DEFESA CIVIL

O “start” para o inicio imediato do atendimento emergencial não foi possível porque a caminhonete disponibilizada pela Prefeitura Municipal para a Defesa Civil estava sem combustível.

Totalmente desprovida de equipamentos, modo operante, condições de trabalho e monitoramento preventivo “pré”ou “pós” não há como realizar um trabalho nesse sentido pois a equipe não compareceu no local ou não foi convocada, o que com certeza não seria necessário. A única pessoa vista no local, horas depois do acontecimento foi o Paulo Rabelo após conseguir abastecer o veículo que estava sem combustível. No ano passado foi feito uma seleção e o preparo de várias pessoas para compor a Defesa Civil, mas que se resume em apenas duas pessoas que coincidentemente se chamam Paulo.

TRANSITO

Estabeleceu-se um caos no local porque nenhum departamento tomou a frente para a coordenação do transito no local (Avenida Aldair Rosa de Oliveira) misturando-se carros, motos, pessoas, rede de energia destruída e cabos espalhados pelo chão, condutas e procedimentos de segurança para os moradores e trabalhadores do local não existiu.

ELEKTRO

A empresa Elektro demorou mais de três horas comparecer no local porque teve que convocar as equipes e caminhões com “munk” e outros acessórios. A empresa já há alguns anos não possui equipes na cidade de Três Lagoas ou uma unidade de emergência, equipamentos e caminhões de grande porte. Hoje é necessário que máquinas e homens venham da cidade de Andradina (SP) para onde foram transferidos. Na regional de outrora que existia na nossa cidade está totalmente desocupado, quando em meados do meio do ano passado foi alugado pela Prefeitura Municipal para a acomodação de seus setores municipais o que não aconteceu até a presente data, apesar de estar fechado a quase um ano e sem o inicio das obras de adaptação apesar dos alugueis estarem sendo pagos em dia.

Moradores do local tiveram que aguardar até o final desse sábado (08) para terem suas energias restabelecidas. Não pelo tamanho do serviço, mas por falta de equipes suficientes para restabelecer os reparos no local.

O serviço 0800 da empresa atentou-se somente para fazer os registros dos pedidos não oferecendo nenhuma alternativa ou informação que ajudasse a tranqüilizar as pessoas desesperadas com as suas casas e da rede destruída.

SAÚDE PÚBLICA

As telhas da cobertura do centro Poli Esportivo eram compostas com uma camada de lã de vidro na parte inferior para abafar o calor e o som das chuvas. Com a força do vento quase que na sua totalidade elas foram arremessadas pelo vento na avenida, nas ruas, nas residências, árvores e até na rede elétrica.

Em nenhum momento viu-se trabalhadores na limpeza das ruas estarem equipados com luvas e máscaras de proteção, já que a lã de vidro além de trazer prejuízos à saúde estava sendo manuseada de forma incorreta naquele momento.

Coceiras poderão acontecer inclusive aos moradores da região afetada, e o risco do pó tanto no momento em que foram inalados pelos trabalhadores e posteriormente aos morados do local atingidos, poderá trazer sérios danos às vias respiratórias e pulmão, concorrendo ainda com o fato que ao começarem a secar (porque estavam molhadas com as águas da chuva) poderá ocorrer uma incidência maior ao se transformarem em pó e comprometer a saúde dos moradores e transeuntes já que somente a avenida foi varrida.

PARAFUSOS

Parafusos de pelo menos três tamanhos foram encontrados facilmente esparramados pela avenida, o que constata que as telhas não foram fixadas com travinhas e porcas, mas sim com parafusos que maneira superficial estavam atrelados à fraca resistência do material usado como teto.

Nos parafusos recolhidos não existe a marca na rosca que foram colocados sob pressão.

AMARELINHOS

De forma tardia foram chamados para ajudar na interdição do transito de veículos demonstrando não ter também um preparo para situações de emergências. Após poucas horas da sua chegada ao local, o trabalho se resumiu em fechar a Avenida Aldair Rosa de Oliveira em um só ponto na rotatória próxima ao final da av. Olinto Mancini.

Em flagrante contraste, há poucos meses atrás na entrega oficial desse mesmo Centro Poli Esportivo, o trabalho do serviço de transito coordenado pela Policia Militar e pelos “amarelinhos” foi feitos com a obstrução temporária das avenidas Aldair Rosa de Oliveira com a Olinto Mancini, das esquinas das ruas Joaquim Murtinho e João Mendes e por fim com a av. Aldair R. de Oliveira com a rua José Gonsalves Filho para permitir somente a passagem de pedestres, interrompendo o transito por mais de 200 metros do local medidos desses três pontos.

Os “amarelinhos” são conhecidos pelo alto número de infrações que fabricam, mas nesse episódio não fizeram as multas devidas nos caminhões da Prefeitura Municipal que estavam sem placas e sem lacres nas chapas traseiras amarradas com arame.

Outro fato que chamou a atenção foi a de um caminhão ao sair do local com um grande número de telhas retorcidas na sua caçamba também não ter notificado ou pelo menos impedido que saísse do local já que oferecia perigo nas ruas que passou com as telhas acondicionadas inadequadamente e até com uma delas se arrastando no chão sem qualquer amarração.

A nossa equipe ao questionar o agente de transito, identificado como J. Oliveira somente disse: “as telhas estão amarradas”, e ao ser perguntado se havia sido feito as multas aos caminhões em desacordo com a lei foi dito: “em qual item do CTB esta essa irregularidade” e “vou avisar à Prefeitura…”

INSATISFAÇÂO

Pessoas que por diversas vezes em carros diferentes, passavam no local expondo com a sua insatisfação, gritando frases como: Onde está os 10 milhões…., isso é uma vergonha ….

Vereador Jorge Martinho (de costas)conversando com a Chefe de Gabinete da Prefeita Márcia Moura

Foto de arquivo do vendaval de 2010 que derubou uma torre de transmissão de uma empresa de telefonia celular no centro da cidade.

A mesma torre em 2010 destruiu casa e carros

Pilar de sustentação sob suspeita que teria cedido para a esquerda

Parte superior no final do telhado abriu uma fenda

Foto tirada pela equipe da Rádio Caçula antes do ato de inauguração do Centro Poli Esportivo que apresentou várias rachaduras no piso

Outra parte da quadra com o piso totalmente trincado

Próximo da coluna de sustentação do meio rachaduras eram maiores

Parafusos não possuem marcas que foram colocados  no teto sob pressão

Foto ilustrativa

Caminhão da Prefeitura Municipal na Av. Aldair Rosa de Oliveira sem placa dianteira

Caminhão da Prefeitura levando telhas retorcidas sem medidas de segurança pelas ruas da cidade, com a benevolência do agente de transito J. Oliveira que não o impediu de continuar

Adesivos inexistentes apesar de Lei Municipal obrigar

Placa traseira sem o lacre. Totalmente adulterada e fora das exigências da lei.

Placa amarrada com arame

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